Quando eu descobri a medida do que eu amo e o tamanho dos meus medos.

O que realmente me faz ter medo na vida? Você pode achar que pegar um avião e ir pra outro lado do país seja um, mas não é. Sair da Augusta de madrugada e ir esperar o metrô abrir pra voltar pra casa, nem tanto. Não era problema pra mim sentar no samba sozinha, pedir uma cerveja e fazer amizade com estranhos, mas quando volto pra casa o medo real aparece: eu vou ficar sozinha nessa casa até quando? Então o medo tomou uma proporção maior e eu fiz as malas, desfiz a vida… eu voltei pra onde eu nunca quis ter saído. O medo passou por uns tempos. Na verdade deu lugar à outro medo: o de sair mais uma vez. E cresceu a ponto de ser uma tortura ir à padaria de manhã. Ninguém percebe, comunicadora nata, mas dentro dessa casca de intelectualidade e simpatia morou uma menina com medo de comprimentar o caixa do supermercado.

O que nos salva dos nossos medos é a medida do que amamos. Quando você vê aquilo que ama se esvaziando no poço dos seus medos é o impulso que todo mundo precisa pra abraçar o que ama de verdade. Mesmo não tendo tudo que ama. E descobre que amar não é ter mesmo. É ser. Ser ponto em cima de uma montanha olhando pro horizonte e imaginando quantos amores cada lugar daquele mapa carrega.

Entender a medida do que se ama é ter sonhos tão distintos. Como se a vida te desse um leque feito por partes de tantas pessoas e tantos lugares.

Sempre haverá um lugar especial, sempre haverá um alguém especial. Mas amar lugares e pessoas não é âncora, é turbina.

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