Grávida pode tudo, só que não…

Eu sempre me imaginei grávida e me deleitando desse momento especial na minha vida. Mas desde o início da gestação os limites do meu corpo já sinalizavam: “você não vai sentir mais prazer comendo o que você amava, agora são os hormônios que mandam, meu bem!”. E com isso também veio o cansaço extremo. Foram tantos dias no sofá que tive que confessar à minha fisioterapeuta a causa do meu lado esquerdo estar mais encurtado. :|

Aí, chegou o segundo trimestre, para a alegria das gestantes! De repente, a gente acorda e tudo mudou. O enjoo sumiu e a disposição é outra. Mas os pés incham por qualquer tempinho na vertical, e é hora de realmente acostumar com a temida meia de compressão (que calor!). O peso só aumenta, e as dores na lombar também. E os desejos? É tanto controle da nutricionista que não posso mais ir à padaria, viro a cara para a sorveteria e tampo o nariz para passar em frente à pizzaria. Apenas no sacolão que vou sem medo. Começo bonitinho na segunda, sem açúcar, sem leite, sem fritura. Mas chega quinta à tarde e um vazio de porcaria toma conta do meu estômago. Aí, já era, não tem como segurar esse monstrinho devorador.

Para compensar, voltei a usar o elíptico magrelinho e barulhento que havia comprado no início do ano. Bastam 20 min com pop no Youtube para eu suar muito mais que na corrida de antigamente (estou controlando os batimentos, estes não elevam tanto assim). Além disso, sempre que estou de tênis tento caminhar ao invés de pegar o transporte público. E tem o pilates, onde a professora só fica com dó quando reclamo de alguma dor, mas ela sabe se eu minto, né? A fisioterapia do períneo parecia facinha no início, mas também dá uma canseira básica. Aí, chega o fim do dia e to mole, pensando: achava que na gravidez ia ficar só deitadinha vendo seriado…

Vou para cama e agora, além de ter que acordar para o tradicional xixi da madruga, fico me revirando com as dores de um corpo que sabe que o peso está aumentando muito rápido, que o quadril cada vez mais alarga. E o cérebro, através das muitas informações que já absorveu sobre esse período delicado, não deixa deitar de bruços ou de costas — esta é outra novidade para mim, mas as dores também aumentam nessa posição. Então, o que me resta é ficar virando de um lado para o outro, a noite toda, com o travisseirão amigo agarrado na perna e no braço (desculpa, marido, pelos esbarrões). Mentalizo que já é uma preparação para as noites com várias acordadas.

O planejado era trabalhar de casa, e estou começando a engatar uma carreira de freela. O que eu não havia imaginado era: primeiro, ficar em casa só dá mais trabalho, porque o serviço de dona de casa nunca acaba, já que cozinho, arrumo, varro, lavo, etc. Segundo, pesquisei até encontrar uma fonte boa de freelas, mas que são todos para gringos. Haja queimação de neurônios para pensar e escrever em inglês quase o dia inteiro. Terceiro, não tenho mais rotina, o que sempre sonhei na vida, mas os clientes geralmente mandam aquela mensagem que dá uma curiosidade de ver só lá pelas 10 da noite, não importa onde estão. E é nessa hora que já to pensando em abraçar o meu travisseirão.

Estou agora no quinto mês, me imaginando em janeiro, barrigudona, pesada, super inchada e passando o maior calor da vida. Já me arrependendo de não ter emagrecido um pouco antes de engravidar, ou não ter conseguido fazer exercícios desde o primeiro mês. Mas o desejo pelo parto natural permanece, torçam para que eu tenha fôlego suficiente, por favor.