Olimpíadas 2016

Catártica. É assim que categorizo essas Olimpíadas. Como todo mundo meio que sabe, eu não acompanho campeonatos esportivos, mas amo — apaixonadamente — cada grande evento esportivo. Olimpíadas no Rio de Janeiro. Eu, como todo mundo meio que sabe, também amo o Rio de Janeiro. É pra encher o peito, não é?

E o que me fascina mal sei citar. Mas quando alguém chora ou sorri ou chora sorrindo ou sorri chorando eu sinto que somos capazes de tudo. Nós, que agora estamos vivos e aqui respiramos, somos capazes de tudo.

A lógica de uma medalha é a que aprendemos na escola com física: tempo e espaço. O tempo da bola cair, o tempo do desequilíbrio na trave, o tempo da braçada, o tempo da passada, o tempo do passe. E a vida não é mesmo isso? O tempo que cada lesão leva para passar, o tempo de espera pra aquele ouro, o tempo que faz aposentar, o tempo que nos atrasa. E a vida não é mesmo isso? O tempo que, do nada, nos faz cair. O tempo que, do nada, nos faz ganhar. E o controle? E os planos? E a estratégia? E o apoio?

Nem sempre a vitória depende disso. E a vida não é mesmo assim?

O tempo que paramos para respirar.
O tempo que levamos para nos entregarmos realmente a algo.
O tempo que levamos para persistir naquele sonho.

Você vê o copo meio cheio ou meio vazio?

Ontem não foi. Hoje pode ser.
Um ontem que dura quatro anos. O tempo que levamos para nos desculpar. O tempo para lembrar que, no fim, não devemos nada a ninguém. O tempo que aprendemos a dominar e ser resilientes e levar a vida com mais calma e jeito.

O espaço. É Brasil. Rio de Janeiro. O que nos muda o lugar que estamos? A nossa força está na voz de apoio que vem de fora? Ou o medo de decepcionar quem nos ama pode nos paralisar? A nossa força está na força de quem enfrentou os próprios medos para estar ali por nós? E às vezes que, as vaias, são ouvidas? Aquele sobres(salto).

Às vezes só nos resta esperar o nosso espaço no pódio. Por apoio, por sorte, por talento, por paciência, por vontade. Por tudo que não depende de nós e a gente luta todo dia para que o mundo sopre a nosso favor. Crescemos se houver espaço. Nos deem espaço. Faremos o nosso gol.

E pelas variáveis, tantas, que atuam naquele dia: se ventou ou se fez sol.

Não foi naquele lugar que o sonho rolou. Tem outros caminhos, outras estradas e, anota aí: um dia achamos nosso lugar.

Da física, também vem o conceito de força. Força que pode ser a força peso. Me diga: qual o peso sobre seus ombros? Força resultante que pode vir da aceleração: você está indo depressa demais consigo mesmo? E a força, essa maior que qualquer física: a força de quem acredita. A sua força ao acreditar.

Que venhão nossos ouros, pratas, bronzes e últimos lugares. Nós não sabemos onde vamos estar daqui quatro anos.

Hoje é o dia mais importante das nossas vidas. Ao menos, não estamos passando na tevê.