A propósito, o meu é @anabsf, caso você ainda não me siga ;)

Não é tão novidade que o Instagram é o novo Tinder. Já tem um tempo que todo mundo sacou isso: o app de fotos tem dado muito mais frutos (e contatinhos, e dates) nessa seara do que a aplicação que foi originalmente pensada para fazer justamente isso. …

Isso pode ser uma farmácia ou uma biqueira com produtos de procedência duvidosa, dependendo do ângulo

Uma das frases mais notórias do cientista grego Hipócrates (hahahaha), considerado um dos pais da medicina, é “Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio”. Que a frase de um estudioso que viveu quase 500 anos antes de Cristo ainda faça sentido hoje não é grande surpresa; a surpresa é que um conhecimento que a humanidade tenha há tanto tempo esteja, pouco a pouco, se perdendo na cultura contemporânea.

A minha geração é filha ou neta de imigrantes do campo pra cidade. Por isso, todo mundo que teve alguma convivência com os avós ainda sabe…

(Ou “o que acontece quando você vive na Alemanha”)

Eu não precisei passar muito tempo na Alemanha pra ver gente pelada.

Eu nem morava lá quando rolou pela primeira vez. Em 2011, em um festival de música no interior do país, presenciei em momentos diferentes rapazes muito bêbados que, debaixo de um frio de uns 8 graus, abaixaram as calças e fizeram xixi sem se preocupar muito em esconder nada.

Eu achei esquisito mas não achei, ali, que estivesse observando (entre outras coisas, nesse caso, né) um padrão cultural. É claro que em todas minhas experiências com gente bêbada no mundo nunca vi ninguém voluntariamente abaixar as calças e…

Leite-com-perismo em alto-mar

Você já teve a sensação de que estivesse fazendo algo com um potencial altíssimo de dar errado a ponto de considerar a possibilidade da sua morte?

Eu não tô falando daqueles momentos "ó as ideia, se eu morrer minha mãe me mata", tão abundantes na adolescência e que — se somados a algum bom senso e um tiquinho de sorte — acabam se tornando combustível pra roda da vida, fazem as coisas acontecerem e se tornam histórias maravilhosas em mesas de bar e em murais de Facebook. Esses riscos pequenos eu acho que a gente precisa correr, mesmo, senão de…

A cidade dos nóias inofensivos, das velhinhas amigas de prostitutas, da orquestra no ponto de ônibus

A aura de misticismo em torno de Amsterdam tem mesmo razão de ser, mas eu acho que não dá pra sentir isso se você visita a cidade por três ou quatro dias. Eu morei na Holanda por um ano, numa cidade chamada Wassenaar, que fica a cerca de uma hora de Amsterdam, entre ônibus e trem — o que é quase o mesmo esforço que eu tenho quando saio de Santo André pra SP, mas menor, porque pegar ônibus e trem na Holanda é…

Alô, cientistas. Estamos aguardando soluções melhores pra nos proteger da chuva e ter versões físicas instantâneas dos nossos documentos. Grata

Eu ontem comprei um guarda-chuva e cometi a proeza de esquecê-lo no ônibus cerca de três horas depois. Acho que, nem se eu quisesse me livrar dele propositalmente, eu seria capaz de executar a tarefa com tanta eficiência quanto ontem. Saí de casa e meu celular indicava 80% de chance de chuva pro horário. Preocupada, gastei 22 reais, no débito, com um guarda-chuva daqueles enormes. Três horas depois, me senti como se tivesse tirado uma nota de R$20 da carteira, mais umas moedas, e enfiado pelos vãos das barras de ferro de um bueiro.

Não choveu.

É lamentável que eu…

Her é uma história de amor entre um sistema operacional e um cara. O cara, interpretado pelo Joaquim Phoenix, é um desses moços meio sensíveis, meio hipsters, daqueles que escrevem poesia e não mostram pra ninguém e ouvem Bon Iver. A moça, interpretada pela voz da Scarlett Johanssonn, é um sistema operacional super inteligente, acionado por comandos vocais, capaz de aumentar seu poder de processamento e aprender de maneira assustadoramente rápida com o comportamento do usuário, assim como nós somos.

O mais legal sobre Her é que, à primeira vista, ele parece um filme sobre o mais não-convencional dos amores…

O dia em que A Metamorfose, O Processo e A Usurpadora se tornaram uma história só

Numa manhã de fevereiro, eu acordei e era outra pessoa.

Ao menos era isso que meu e-mail indicava. Eu estava recebendo correio endereçado a alguém chamado Ana Beatriz. Eram dezenas de e-mails do Facebook, notificações avisando sobre comentários, compartilhamentos e curtidas, amizades novas.

"uma prençeza"

Não entendi nada e cliquei em um dos links do e-mail. De repente, eu estava dentro do Facebook da moça. Logada e tudo mais — não me pergunte como isso aconteceu, já que eu não precisei digitar senha nenhuma. A Ana…

Exercitando o desapego em tempos de Netflix e Spotify

Eu completo 27 anos no próximo domingo. Isso significa que ganhei o meu primeiro CD há 17 anos. Foi o Americana, do Offspring (eu estou tão surpresa quanto você sobre a idade desse disco). Na adolescência, eu era a única na minha sala no colégio particular que trabalhava, e acho que uns 70% do meu modesto salário de R$600 ia para o sebo do Robson, que ficava na rua da minha escola e vendia discos, CDs e livros, além de oferecer consultoria gratuita sobre o universo maravilhoso da cultura pop que…

À esquerda, a torre de TV de Alexanderplatz

Quando eu cheguei em Berlim, eu achei que ela fosse mais difícil do que São Paulo.

Eu sempre descrevo São Paulo pros gringos por aqui como um marido violento. Nós, os habitantes, somos a mulher que não dá queixa à polícia por se prender àqueles poucos momentos em que o marido demonstra compaixão. Nesses momentos, ela enxerga um pouco de amor naquele olhar meio cruel e aí pensa que ainda há esperança. São Paulo é uma cidade que a gente ama, mas que não ama a gente de volta.

Quando eu cheguei em Berlim, achei que ela fosse assim, como…

Ana Freitas

Jornalista

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