Como renascem os blogs

Duas coisas mataram o meu blog. No Brasil, podia ter sido bala perdida e poluição, atropelamento na ciclovia e afogamento na enchente. Mas foi mais simples e menos sangrento que isso.

A primeira foi a faculdade de jornalismo e o trabalho, que me viciaram na escrita objetiva, com o lead bem estruturado, o "quem, quando, onde, como e por quê" acima de tudo. As divagações, a prosa poética, as brisas ocasionais acabaram ficando pelo caminho depois de anos de redação.

A segunda foi a maneira como passei a entender o mundo nos últimos 3, 4 anos. Os textos do Olhômetro nos primórdios, os que faziam sucesso, eram geralmente textões rabugentos que reclamavam acidamente de todo tipo de coisas. Eram intencionalmente engraçados nessa rabugice, mas tinham sim uma base de garota enxaqueca. Eu parei de reclamar de coisas, porque pararam de me incomodar as coisas que não me dizem respeito e porque eu penso muito bem nelas antes de emitir uma opinião daquelas que viralizam — geralmente, as opiniões que viralizam têm palavrões, sarcasmo e caps lock, e eu abandonei todos os esses recursos, com exceção talvez do caps lock. Também parei de reclamar de coisas e de comportamentos porque hoje me parece muito claro que todo mundo pode fazer o que tiver com vontade, contanto que isso não ultrapasse os limites da liberdade individual alheia. E tudo isso, esse conceito, se tornou pra mim tão óbvio que não vejo mais propósito em pontuar o óbvio. Morre um blog, então.

No entanto, as análises comportamentais e culturais continuaram fazendo parte do meu portfólio. Publicava-as em veículos que me pagavam pra isso ou nas caixas de status do Facebook. Agora, volto com o Olhômetro, um observatório pra entender o mundo de uma maneira que eu garanto, poucos entendem, aqui no Medium.

O Medium tem essa interface linda tanto pra ler quanto pra escrever, um algoritmo que torna fácil descobrir textos incríveis e uma plataforma que agrega facilmente os textos do mesmo autor. Vou republicar aqui as minhas publicações preferidas do antigo Olhômetro e publicar crônicas sem rabugice. Espero que vocês gostem.

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