Casamento das cinzas
Uma melodia fúnebre já tocava ao fundo
Num crescente forte a morte
Se aproxima das criaturas
Pobres seres de carne
Tão frágeis no peito de ossos espaçados
Que morrem pelo coração
O fogo que outrora ardia
Agora a morte observa
Enquanto queimam as últimas brasas
E tudo se transforma em cinzas
Pobres seres de carne
Que vivem de ardor
Com os braços estendidos
A morte espera para carregar
Suas cinzas consigo
Num movimento rápido
Produz um vento que movimenta
Todas as partes queimadas
E parece abraça-las
Para carrega-las à sua sina
No submundo ou no paraíso
O que a morte não viu
É que enquanto seu vento
Carregava os pedaços de fogo
Duas cinzas se davam as mãos
E se tomavam em casamento
Decidindo unir-se na morte ou na vida
Aceitando seu destino
De seres de fogo que morrem de amor
E uma melodia fúnebre tocava ao fundo
