Hoje eu lembrei de você

Hoje eu lembrei, num relance, de você. Você mora aqui, afinal, não é mesmo?

Que engraçado eu acabar trabalhando aonde você mora. Se as coisas tivessem sido diferentes, a gente poderia se encontrar todo dia depois do trabalho. Sentaríamos pra tomar um café, e gastaríamos todo o nosso vale refeição nisso, como você costumava fazer. Conversaríamos sobre a vida, contaríamos bobagens e você me faria rir. Cuidaríamos das nossas inseguranças e quando não conseguíssemos resolver nossos problemas, o que faríamos? Comeríamos, como costumávamos fazer. Provavelmente eu gastaria todo o meu dinheiro em besteiras, só pra seguir a sua rotina.

Eu sairia todos os dias pontualmente às sete e correria pra te ver. Os dias não seriam tão desgastantes pois haveria você no fim deles.

Se as coisas não tivessem sido como foram, você ainda seria minha fonte de energia e motivação. E comemoraríamos em consonância porque agora eu trabalho pertinho de você.

Mas como as coisas são como são, escrevo como escrevo no futuro do pretérito, pretérito imperfeito porque as coisas foram como foram, uma maré de imperfeições.

Hoje ando como ando pelas ruas de Botafogo, pelas plataformas do metrô, pelos corredores de shoppings. Com medo de um dia as coisas serem como poderiam ter sido, e a gente se esbarrar em alguma esquina, em alguma loja de café, em alguma loja de bala.

Hoje lembrei de você, quase que como um lamento da alma, pensando em como poderiam ter sido as coisas.

Amanhã não vou mais me lembrar de você. Porque as coisas foram como foram, e se hoje a sorte me deu um trabalho onde você mora, bom… É para que eu nunca me esqueça de que hoje as coisas são como são. E são melhores agora.

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