Agora escrevo porque o amor é verídico.

Há alguns anos, ela — a protagonista dessa história, após ler uns versos que eu havia escrito, me perguntou: Ana, mas da onde saiu isso? E eu, na época com meus 16 anos e uma literatura completamente despretensiosa, revelei: Da minha cabeça.

Naquele momento pareceu que alguma magia nela havia se desfeito. Logo ela. Chateada, me disse: Mas tu não pode fazer isso com as pessoas, eu sofri de verdade com esse texto, imaginei a dor. Daí em diante, comecei a rever o que eu escrevia. Entrei no curso de jornalismo e me distanciei de alguns mitos também. Mas ainda amo a ficção, ainda amo a capacidade criativa, ainda sou louca pelas narrativas, crônicas e contos que leio por aí que ainda alimentam o meu encanto por Estórias mesmo.

Acontece que em um desses dias que nossa cabeça pensa, pensa, pensa e elabora mil linhas, eu decidi que, quando escrevesse outra coisa para ela ler, ela seria a personagem. Ela seria a principal. Porque ela tem tudo de real, ela tem tudo que eu quero que a minha protagonista seja. E, para mim, sempre é sobre Bruna.

Bruna é forte, determinada, linda, inteligente, otimista e, ainda por cima, acredita em mim. Acredita no meu potencial, nas minhas palavras, nos meus sonhos e onde eu quero chegar.

Hoje é o aniversário dela e embora eu já tenha escrito tantas vezes sobre nossa relação, é sempre desafiador. Ter uma irmã que é sua melhor amiga, não é a coisa mais simples do mundo, embora eu ache uma das melhores. Tem dia que a gente discute, mas com o tempo, já aprendemos que não vamos a lugar nenhum assim e juntas temos o mundo inteiro. Eu admiro mais de 50 coisas nela e poderia listar, mas tem dia que aquela mania dela de estar sempre certa me deixa com mais raiva do que nunca.

Mas isso é só um lado. E não pesa tanto, defeito todo mundo tem. Eu ainda escolheria Bruna para ser a personagem principal se eu fosse escrever um livro. Eu ainda iria querer a disposição dela para fazer as coisas darem certo, eu ainda usaria mil parágrafos para explicar a necessidade e preocupação que ela tem em saber que as coisas vão sair como ela planejou, ainda daria o espaço que ela precisa, tentaria acertar só essa cobrança pessoal em ser perfeita em tudo que faz. A Bruna dos meus livros já nasceria sabendo que é maravilhosa, dona de si, independente e que vai alcançar o mundo. Assim mesmo, cheia de auto-estima porque ela é, eu não precisaria ficar lembrando.

É engraçado porque talvez eu ainda prefira a Bruna da vida real. Que é indecisa e não é a indecisão clichê, que demora para escolher, mas quando escolhe, adeus. Ela demora mesmo, fica sem saber, se questiona mil vezes, volta lá, pede opinião, não quer mais, acha que talvez queira e já, já quer mais que tudo. É o jeito dela, sabe? Aconselhar o próximo é uma coisa, mas querer alterar a essência do outro é nos afirmar que não podemos lidar com ela.

E, fala sério, como sou abençoada em lidar com uma essência como a dela. Pura, em constante processo de evolução e ligada na minha.

Bruna, eu só queria te dizer que minha literatura sempre foi assim, despretensiosa, solta, largada, feita sem seguir regras, mas que contigo ela é sempre sincera. Você inspira o que há de melhor em mim e as palavras sorriem quando falam de ti.

Feliz aniversário, vida longa! ❤

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