Guia de BH, feito por quem vive e mora na cidade

Viajar é sempre bom, né? Melhor ainda quando você tem aquele amigo cheio de dicas ótimas que fogem das atrações batidas dos guias de viagem. Não que não valha a pena visitar os pontos turísticos, mas conhecer uma cidade com a ajuda de um morador é bem mais interessante. Por isso, resolvemos ser essa figura fofa e companheira que vai desvendar uma Belo Horizonte cultural e descolada para você. Seja você turista, novo ou antigo morador. Prepare-se para ver a BH que não está nas páginas dos guias tradicionais, mas que está no ❤ dos belorizontinos (pelo menos nos nossos).

PARA COMER E BEBER

A gastronomia de BH é famosa. Cidade da comida de buteco, o que mais tem por aqui é “trem” gostoso para comer! Mas nossa culinária vai muito além do feijão tropeiro e do bife de fígado com jiló. Os pães artesanais (o com pesto de manjericão é sensacional) e os produtos da padaria da Casa Bonomi, por exemplo, são de dar água na boca. O casarão, um imóvel tombado pelo patrimônio histórico, por si só já vale a visita. Tomar café da manhã lá no fim de semana é uma delícia. Eles colocam mesinhas na calçada do quarteirão fechado da rua Cláudio Manuel e é fácil esquecer que você está em um dos cruzamentos mais agitados da cidade. Ah, para quem não sabe, a dona do lugar é Paula Bonomi, ex-bailarina do Grupo Corpo.

Várias opções no café da manhã ao ar livre da Bonomi | End: Av. Afonso Pena, 2600 — Funcionários | Foto: Du Tropia

Inaugurada no início deste ano, a Chá Comigo é uma loja de chá super charmosa que fica no alto de um dos muitos morros do bairro Santo Antônio. Com uma decoração moderna e despojada, o lugar tem sucos, vinhos, cervejas diferentes e é claro, vários tipos de chás, com a opção de serem servidos quentes ou gelados.

Com uma proposta intimista, na Chá Comigo o cliente faz o pedido direto no balcão | End: Rua Leopoldina, 634 — Sto Antônio | Foto: Instagram

Os sanduíches são gostosos, fartos e feitos com pão da Cum Panio (atelier de pães artesanais maravilhosos que vale demais conhecer também). Mas a queridinha dos frequentadores é mesmo a torta de bem-casado. Chega ao ponto de ter reserva para as tais fatias. Sério! Para completar, a casa oferece água e Wi-Fi de graça e o cliente ainda pode colocar o som escolhendo um dos vinis disponíveis. O espaço fecha nos finais de semana, mas já rolou showzinho por lá numa tarde de domingo, então… tudo pode acontecer.

A Cum Panio também vende azeite aromatizado, geléias, antepastos e outras coisinhas mais que vão bem com os pães, carro- chefe da casa | End: Rua do Ouro, 292 — Serra | Foto: Facebook

Claro que não dá para falar de Minas sem falar de pão de queijo. Na A Pão de queijaria você encontra quatro variedades do quitute, feito com ingredientes e queijos diferentes. Além da versão comum, sem recheio, existem vários tipos de sanduíches feitos com pão de queijo. A polenta frita que acompanha o sanduíche também é divina. E o catchup de goiabada? Humm… Tomar um café da tarde lá, vendo o movimento da Savassi, é uma delícia. Quem quiser comprar o pão de queijo para assar em casa, também pode. Eles vendem o pãozinho congelado.

O hambúrguer mineiro da A Pão de Queijaria acompanhado de polenta frita | End: Rua Antônio de Albuquerque, 856 — Savassi | Foto: Divulgação

No tradicional bairro de Santa Tereza, em uma esquina que dá de frente à uma pequena praça, fica o Bar do Orlando. É nesse cenário bucólico que o pessoal se reúne para tomar cerveja, bater papo, comer uma linguicinha ou torresmo no que dizem ser o buteco mais antigo de BH. O lugar também tem seus dias de agito, com música alta e muvuca, principalmente no carnaval, quando vira point dos foliões mais animados. Tanta animação não agradou o “Seu” Orlando que resolveu fechar o estabelecimento durante a festa deste ano. Em geral, o bar é um reduto boêmio-relax dos belorizontinos e uma boa opção para aproveitar uma tarde de sol tranquila na cidade.

A casinha brejeira do Bar do Orlando. Simplicidade que faz os frequentadores se sentirem à vontade | End: Rua Alvinópolis, 460 — Sta Tereza | Foto: Reprodução Internet

Se você quiser experimentar uma comidinha de buteco bem feita, vale passar no Bar do Zé Pretinho. Localizado no topo de um morro que dá para o Aglomerado da Serra, o bar tem várias gostosuras com preço honesto. Tem linguiça, torresmo, costelinha, mandioca frita… Para beber, tem várias opções também, mas o mojito é especial. Agora, cuidado! Não é para os fracos, viu? O jardim externo foi restaurado pelos donos e frequentadores do local e ficou uma belezura. Uma boa pedida para os dia de calor é sentar lá e apreciar a vista tomando uma gelada.

As mesas do Bar do Zé Pretinho lotam rápido. É bom chegar cedo | End: Rua Gravataí, 260 — Nossa Senhora da Conceição | Foto: Facebook

PARA PASSEAR E SE DIVERTIR

Com uma programação variada, que vai de shows intimistas a exibição de filmes, passando por feirinhas descoladas a picnic na rua, a Benfeitoria é um dos lugares mais bacanas da cidade. Aberto no final do ano passado, o galpão cultural é fruto da iniciativa de amigos que uniram forças para criar um espaço de coworking que acabou crescendo mais que o esperadpo. Com uma decoração bem despojada, a ideia do lugar e te fazer sentir em casa. O legal é que você ainda pode sair e entrar a hora que quiser, inclusive com a sua bebida na mão (a rua e todo o entorno do lugar faz parte da experiência, por isso o entra e sai é grande). Se você quiser tomar um drink refrescante, conhecer gente interessante e relaxar vendo o pôr do sol mais lindo de BH, lá é o lugar. A sangria e os sanduíches são super gostosos!

Um das muitas feirinhas da Benfs, como é carinhosamente chamada pelos frequentadores | End: Rua Sapucaí, 153 — Floresta | Foto: Magê Monteiro

O Edifício Maletta, no centro da cidade, é um caso a parte. Dá para ficar um dia inteiro descobrindo todas as coisas fantásticas que tem por lá. Ponto de encontro de jovens, velhos, endinheirados e endividados, é um lugar super democrático. Nos dois andares da galeria destinada para fins comerciais (o prédio abriga também residências e escritórios) você encontra bares de todos os tipos, restaurantes, lojas, galeria de arte e sebos. Uma boa pedida é chegar no Maletta na hora do almoço, comer na Cantina do Lucas (se for dividir, peça o filé surprise! Não vai se arrepender), depois ficar por lá, desbravando cada personagem e cantinho desse lugar emblemático de BH até chegar a hora de ir para o bar. Seis e meia da tarde já tá bom? No segunda andar tem váaarias opções bacanas, entre elas estão o Dub, o Arcângelo e a Objetoria. Todas com uma vista linda para a rua da Bahia.

A disputada varanda do Maletta com vista para o prédio do Centro de Referência da Moda, na rua da Bahia | End: Rua da Bahia, 1148 — Centro | Foto: Reprodução Internet

Se você gosta de arte contemporânea, vai curtir conhecer a quatoamado. Aberta em dezembro de 2014, a galeria física (o coletivo já existia desde 2012) fica na Savassi e representa 12 artistas locais, além de promover exposições e articular projetos de artes plásticas. Você ainda pode adquirir por lá publicações de arte e CDs de música independente.

Uma das exposições da Galeria quartoamado | End: Rua Antônio de Albuquerque, 384 — Savassi | Foto: Facebook

Localizado em um dos palcos da cultura de rua de BH, o Baixo Centro Cultural é o lugar para quem gosta de se jogar sem muita frescura. Debaixo do Viaduto de Santa Tereza — local que também foi berço do Duelo de MC’s e que recebe o carnaval de rua — o espaço reúne todo tipo de gente até altas horas da madrugada. Há quem se contente em ficar na porta mesmo, como já acontecia com o bar antecessor, o Nelson Bordello. E como a rua é pública, todo mundo é bem-vindo na socialização da portinha, inclusive os moradores de rua. Por quê não? Na programação, que vai de de quinta a sábado, tem de tudo: brega, rock, indie, tango, axé vintage, rap….Isso é que é uma noite democrática.

A rua é quase uma uma continuação do Baixo Cultural | End: Rua Aarão Reis, 554 — Centro | Foto: Divulgação

PARA COMPRAR

Funcionando em um casarão tombado, construído em 1909, a loja da Adô Atelier chama atenção com sua fachada bordô e detalhes característicos do Art Nouveau. Inaugurada este ano, a Casa Adô (a marca já existe desde 2008) traz um misto interessante de história e design. A loja vende bolsas, carteiras, cintos, colares e outros tipos de acessórios. Tudo com uma pegada moderna e ao mesmo tempo artesanal. Vale a visita pelo casarão histórico — frequentado nos anos 20 por intelectuais como Drummond e Pedro Nava — pela decoração minimalista escolhida pelas donas da Adô e pelas peças lindas à venda.

Interior do casarão da Adô Atelier | End: Rua Gonçalves Dias, 1218 — Funcionários | Foto: Divulgação

Se você gosta de peças vintage com precinho camarada, vai se esbaldar no Brilhantina. No brechó, que funciona há mais de 10 anos na Savassi, é possível achar peças retrô em ótimo estado e coisas novas também. Roupas e todo tipo de acessório estampam a pequena loja que é decorada no estilo anos 50. Você pode sair de lá com um vestido de grife, um óculos modernoso e um brinco de abacaxi! Raquel, a dona da loja, vai te dar toda atenção do mundo e te dar dicas valiosas. Aproveite!

Entrar na Brilhantina e fazer uma viagem no tempo | End: Rua Tomé de Souza, 821 , loja 3 — Savassi | Foto: Facebook

Pense em uma loja enorme que funciona em uma casa linda dentro de uma vila no meio da cidade? A Vila 211 é tudo isso. A loja parece pequena do lado de fora, mas lá dentro tem um mundo de objetos para a casa e artigos de decoração. As peças originais, escolhidas a dedo pelos donos — que são arquitetos — ficam expostas pelos ambientes da casa. É um bom lugar para comprar presente ou garimpar aquela peça de decoração que estava faltando para a sua casa.

Vila 211 — uma portinha discreta que dá para um galpão recheado de objetos para a casa | End: Rua Estevão Pinto, 211 — Serra | Foto: Clarissa Lanari

E como BH é mesmo a terra da comida boa, não dá pra sair daqui sem levar nenhuma guloseima para casa, mesmo que a casa seja aqui mesmo. Uma passada na De-Lá e você já faz o estoque da despensa. Manteiga caseira, pé-de-moleque tradicional, café moído, cachaça e, é claro, queijos de todos os tipos estão entre as delícias vendidas na loja, uma espécie de promotora de produtos alimentícios artesanais vindos de vários cantos do Estado. É possível degustar os produtos e as vendedoras ainda dão uma aula sobre a história e origem das mercadorias.

Mesa de degustação da De- Lá. Uma variedade de produtos de diferentes lugares do Estado| End: Rua Santa Rita Durão, 919 — Savassi | Foto: Facebook

Viu só? BH é muito mais do que o Mercado Central, a Pampulha e o Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Ainda ficou muita coisa boa de fora, viu? Sem falar das atrações sazonais como os festivais — de teatro, dança, quadrinhos… — e feirinhas de rua que sempre rolam por aqui. Ah, e tem o carnaval de rua que é lindo! BH é muito amor ❤ mesmo. E se você sentiu falta de um lugar, deixe o nome e endereço nos cometários, além de dizer porque você acha que deveria estar no guia oficial do morador de BH.