Guia de BH, feito por quem vive e mora na cidade
Viajar é sempre bom, né? Melhor ainda quando você tem aquele amigo cheio de dicas ótimas que fogem das atrações batidas dos guias de viagem. Não que não valha a pena visitar os pontos turísticos, mas conhecer uma cidade com a ajuda de um morador é bem mais interessante. Por isso, resolvemos ser essa figura fofa e companheira que vai desvendar uma Belo Horizonte cultural e descolada para você. Seja você turista, novo ou antigo morador. Prepare-se para ver a BH que não está nas páginas dos guias tradicionais, mas que está no ❤ dos belorizontinos (pelo menos nos nossos).
PARA COMER E BEBER
A gastronomia de BH é famosa. Cidade da comida de buteco, o que mais tem por aqui é “trem” gostoso para comer! Mas nossa culinária vai muito além do feijão tropeiro e do bife de fígado com jiló. Os pães artesanais (o com pesto de manjericão é sensacional) e os produtos da padaria da Casa Bonomi, por exemplo, são de dar água na boca. O casarão, um imóvel tombado pelo patrimônio histórico, por si só já vale a visita. Tomar café da manhã lá no fim de semana é uma delícia. Eles colocam mesinhas na calçada do quarteirão fechado da rua Cláudio Manuel e é fácil esquecer que você está em um dos cruzamentos mais agitados da cidade. Ah, para quem não sabe, a dona do lugar é Paula Bonomi, ex-bailarina do Grupo Corpo.

Inaugurada no início deste ano, a Chá Comigo é uma loja de chá super charmosa que fica no alto de um dos muitos morros do bairro Santo Antônio. Com uma decoração moderna e despojada, o lugar tem sucos, vinhos, cervejas diferentes e é claro, vários tipos de chás, com a opção de serem servidos quentes ou gelados.

Os sanduíches são gostosos, fartos e feitos com pão da Cum Panio (atelier de pães artesanais maravilhosos que vale demais conhecer também). Mas a queridinha dos frequentadores é mesmo a torta de bem-casado. Chega ao ponto de ter reserva para as tais fatias. Sério! Para completar, a casa oferece água e Wi-Fi de graça e o cliente ainda pode colocar o som escolhendo um dos vinis disponíveis. O espaço fecha nos finais de semana, mas já rolou showzinho por lá numa tarde de domingo, então… tudo pode acontecer.

Claro que não dá para falar de Minas sem falar de pão de queijo. Na A Pão de queijaria você encontra quatro variedades do quitute, feito com ingredientes e queijos diferentes. Além da versão comum, sem recheio, existem vários tipos de sanduíches feitos com pão de queijo. A polenta frita que acompanha o sanduíche também é divina. E o catchup de goiabada? Humm… Tomar um café da tarde lá, vendo o movimento da Savassi, é uma delícia. Quem quiser comprar o pão de queijo para assar em casa, também pode. Eles vendem o pãozinho congelado.

No tradicional bairro de Santa Tereza, em uma esquina que dá de frente à uma pequena praça, fica o Bar do Orlando. É nesse cenário bucólico que o pessoal se reúne para tomar cerveja, bater papo, comer uma linguicinha ou torresmo no que dizem ser o buteco mais antigo de BH. O lugar também tem seus dias de agito, com música alta e muvuca, principalmente no carnaval, quando vira point dos foliões mais animados. Tanta animação não agradou o “Seu” Orlando que resolveu fechar o estabelecimento durante a festa deste ano. Em geral, o bar é um reduto boêmio-relax dos belorizontinos e uma boa opção para aproveitar uma tarde de sol tranquila na cidade.

Se você quiser experimentar uma comidinha de buteco bem feita, vale passar no Bar do Zé Pretinho. Localizado no topo de um morro que dá para o Aglomerado da Serra, o bar tem várias gostosuras com preço honesto. Tem linguiça, torresmo, costelinha, mandioca frita… Para beber, tem várias opções também, mas o mojito é especial. Agora, cuidado! Não é para os fracos, viu? O jardim externo foi restaurado pelos donos e frequentadores do local e ficou uma belezura. Uma boa pedida para os dia de calor é sentar lá e apreciar a vista tomando uma gelada.

PARA PASSEAR E SE DIVERTIR
Com uma programação variada, que vai de shows intimistas a exibição de filmes, passando por feirinhas descoladas a picnic na rua, a Benfeitoria é um dos lugares mais bacanas da cidade. Aberto no final do ano passado, o galpão cultural é fruto da iniciativa de amigos que uniram forças para criar um espaço de coworking que acabou crescendo mais que o esperadpo. Com uma decoração bem despojada, a ideia do lugar e te fazer sentir em casa. O legal é que você ainda pode sair e entrar a hora que quiser, inclusive com a sua bebida na mão (a rua e todo o entorno do lugar faz parte da experiência, por isso o entra e sai é grande). Se você quiser tomar um drink refrescante, conhecer gente interessante e relaxar vendo o pôr do sol mais lindo de BH, lá é o lugar. A sangria e os sanduíches são super gostosos!

O Edifício Maletta, no centro da cidade, é um caso a parte. Dá para ficar um dia inteiro descobrindo todas as coisas fantásticas que tem por lá. Ponto de encontro de jovens, velhos, endinheirados e endividados, é um lugar super democrático. Nos dois andares da galeria destinada para fins comerciais (o prédio abriga também residências e escritórios) você encontra bares de todos os tipos, restaurantes, lojas, galeria de arte e sebos. Uma boa pedida é chegar no Maletta na hora do almoço, comer na Cantina do Lucas (se for dividir, peça o filé surprise! Não vai se arrepender), depois ficar por lá, desbravando cada personagem e cantinho desse lugar emblemático de BH até chegar a hora de ir para o bar. Seis e meia da tarde já tá bom? No segunda andar tem váaarias opções bacanas, entre elas estão o Dub, o Arcângelo e a Objetoria. Todas com uma vista linda para a rua da Bahia.

Se você gosta de arte contemporânea, vai curtir conhecer a quatoamado. Aberta em dezembro de 2014, a galeria física (o coletivo já existia desde 2012) fica na Savassi e representa 12 artistas locais, além de promover exposições e articular projetos de artes plásticas. Você ainda pode adquirir por lá publicações de arte e CDs de música independente.

Localizado em um dos palcos da cultura de rua de BH, o Baixo Centro Cultural é o lugar para quem gosta de se jogar sem muita frescura. Debaixo do Viaduto de Santa Tereza — local que também foi berço do Duelo de MC’s e que recebe o carnaval de rua — o espaço reúne todo tipo de gente até altas horas da madrugada. Há quem se contente em ficar na porta mesmo, como já acontecia com o bar antecessor, o Nelson Bordello. E como a rua é pública, todo mundo é bem-vindo na socialização da portinha, inclusive os moradores de rua. Por quê não? Na programação, que vai de de quinta a sábado, tem de tudo: brega, rock, indie, tango, axé vintage, rap….Isso é que é uma noite democrática.

PARA COMPRAR
Funcionando em um casarão tombado, construído em 1909, a loja da Adô Atelier chama atenção com sua fachada bordô e detalhes característicos do Art Nouveau. Inaugurada este ano, a Casa Adô (a marca já existe desde 2008) traz um misto interessante de história e design. A loja vende bolsas, carteiras, cintos, colares e outros tipos de acessórios. Tudo com uma pegada moderna e ao mesmo tempo artesanal. Vale a visita pelo casarão histórico — frequentado nos anos 20 por intelectuais como Drummond e Pedro Nava — pela decoração minimalista escolhida pelas donas da Adô e pelas peças lindas à venda.

Se você gosta de peças vintage com precinho camarada, vai se esbaldar no Brilhantina. No brechó, que funciona há mais de 10 anos na Savassi, é possível achar peças retrô em ótimo estado e coisas novas também. Roupas e todo tipo de acessório estampam a pequena loja que é decorada no estilo anos 50. Você pode sair de lá com um vestido de grife, um óculos modernoso e um brinco de abacaxi! Raquel, a dona da loja, vai te dar toda atenção do mundo e te dar dicas valiosas. Aproveite!

Pense em uma loja enorme que funciona em uma casa linda dentro de uma vila no meio da cidade? A Vila 211 é tudo isso. A loja parece pequena do lado de fora, mas lá dentro tem um mundo de objetos para a casa e artigos de decoração. As peças originais, escolhidas a dedo pelos donos — que são arquitetos — ficam expostas pelos ambientes da casa. É um bom lugar para comprar presente ou garimpar aquela peça de decoração que estava faltando para a sua casa.

E como BH é mesmo a terra da comida boa, não dá pra sair daqui sem levar nenhuma guloseima para casa, mesmo que a casa seja aqui mesmo. Uma passada na De-Lá e você já faz o estoque da despensa. Manteiga caseira, pé-de-moleque tradicional, café moído, cachaça e, é claro, queijos de todos os tipos estão entre as delícias vendidas na loja, uma espécie de promotora de produtos alimentícios artesanais vindos de vários cantos do Estado. É possível degustar os produtos e as vendedoras ainda dão uma aula sobre a história e origem das mercadorias.

Viu só? BH é muito mais do que o Mercado Central, a Pampulha e o Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Ainda ficou muita coisa boa de fora, viu? Sem falar das atrações sazonais como os festivais — de teatro, dança, quadrinhos… — e feirinhas de rua que sempre rolam por aqui. Ah, e tem o carnaval de rua que é lindo! BH é muito amor ❤ mesmo. E se você sentiu falta de um lugar, deixe o nome e endereço nos cometários, além de dizer porque você acha que deveria estar no guia oficial do morador de BH.