Ação humana sobre a vida das abelhas

Mudança climática, pesticidas e desmatamento alguns dos motivos que vem devastando os maiores polinizadores no nosso país.

O papel ecológico das abelhas tem sido um tema recorrente de estudo entre biólogos, engenheiros agrônomos. No Rio Grande no Sul, existem 22 espécies nativas sem ferrão. Já no Brasil, o número fica em torno de 209. Cinco delas estão ameaçadas conhecidas cientificamente como Partamona littorallis, Melipona Capixaba, Melipona refiventris, Melipona scutellaris e a solitária Arhysosage. Todas correndo risco de extinção segundo dados fornecidos pela A.B.E.L.H.A (Associação Brasileira de Estudos das Abelhas). Alguns motivos têm sido relacionados à mortandade dessas espécies, os mais fortes são as alterações no clima, como desmatamento e uso indiscriminado de agrotóxicos. A ligação existente entre ação humana e o sumiço das abelhas está atrelado fortemente.

A função desse inseto é discutida em universidades e pesquisas de extensão. Nas mais diversas análises realizadas por agrônomos, têm sido observada a polinização e a saúde das abelhas. O sumiço desse animal prejudica diretamente o ecossistema, afetando a alimentação humana. A maior fonte de alimento das abelhas é o néctar, que é transformado em mel. A produção desse alimento rico em nutrientes não é a única perda que o ser humano pode ter. Um dos maiores polinizadores está ameaçado! Sem as abelhas toda agricultura e monocultivo estaria comprometida.

A reprodução das colônias está ameaçada pela ação humana na alterações climáticas e uso indiscriminado de pesticidas. Sem dúvidas os chamados defensores agrícolas estão exterminando pragas das agriculturas, entretanto estão destruindo juntamente um dos maiores polinizadores que o ecossistema possui. O desmatamento tem contribuído para a destruição da composição florística afetando diretamente as abelhas.

Em áreas diversificadas, este inseto encontra diversas fontes de nutrientes e obtêm uma alimentação balanceada. Com o desmatamento, o inseto tem se deslocado a procura de uma região mais rica e isso vem acarretando males ao inseto. A imunidade e o estresse têm sidos dois fatores que afetam a sobrevivência das abelhas. Já o deslocamento da colmeia realizado pelo apicultor quando feito mais de 5 vezes e com trocas de regiões afeta igualmente o sistema nervoso do animal, causando falta de adaptação e deixando o inseto suscetível a doenças causada por parasitas.

O Brasil não possui um monitoramento na avaliação epidemiológicas. A falta de informações sobre como é realizado o manejo das colmeias nos apiários e as práticas agrícolas adotas em relação a utilização de agrotóxicos têm levado a altas perdas de abelhas. O contato com a cera é outra rota de exposição aos agrotóxicos. Na verdade, qualquer espécie que voe em áreas de cultivo com veneno terão seu desempenho prejudicado.

No Brasil, a preocupação se dá aos inseticidas aplicados por aeronaves sobre grandes extensões de monocultura. De 2000 a 2012, as vendas de agrotóxicos no país cresceram 194 segundo o Boletim de comercialização de agrotóxicos e afins, em 2013.

No mesmo ano, foram realizadas 495.764,55 toneladas de ingredientes ativos, dos quais 11,5% com ação exclusiva de inseticida. O contato da abelha com herbicidas fungicidas e inseticidas causa intoxicação aguda, afetando o comportamento e o sistema imunológico da espécie, causando problemas crônicos.

O diagnostico realizado para obter a constatação dos motivos que estão levando a morte por alteração climática é visto através do comportamento e fisiologia na desestabilização planta-polinizador. Para as abelhas, o maior impacto climático que pode acontecer é a redução de espécies vegetais, alterações dos períodos de florescimento e a quantidade de néctar e pólen.

O armazenamento de alimento é a uma estratégia de sobrevivência para os períodos de pouco néctar e pólen. Com as alterações climáticas impostas pela ação humana, o néctar está ficando escasso e a reprodução dessa espécie está ameaçada. No Brasil a situação é preocupante e cerca de um terço do território nacional já foi convertido para a produção agrícola levando a perda de áreas de vegetação natural.

Segundo Paulo Conrad, biólogo da EMATER, o ecossistema seria muito afetado sem as abelhas. Ele explica basicamente como funciona a relação planta e polinizador.

“A planta que precisa do apoio para ocorrer a fecundação oferece as abelhas o néctar, na parte feminina e um pólen rico em proteínas e atrativo na parte masculina da flor. As flores e abelhas são elementos fundamentais para a perpetuação da espécie vegetal. Sem as abelhas boa parte das plantas deixariam de existir, os alimentos de origem vegetal deixariam de existir também.”

Segundo Aroni Sattler, engenheiro agrônomo e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a grande causa da mortandade de abelhas aqui no Rio Grande do Sul é o veneno. E relata que o modelo atual de produção de alimentos contempla o uso de agrotóxicos e o problema tem sido o ataque aos insetos uteis. A convivência de insetos polinizadores com os inseticidas não é benéfico.

No estado os casos de morte têm se dado pelos formicidas. “Nos monocultivos, soja, macieira e frutíferas no modo geral, quando faço as análises de todas as doenças na maior parte o principio ativo que mais tem sido encontrado aqui no estado é um formicida.”

O Friponil é um tipo de veneno muito usado no plantio de grande quantidade com dissecante e afeta toda vegetação nativa e no entorno. O maior risco é na aplicação área dos produtos porque tem muita deriva. Toda a florada fica comprometida. Todo tipo de abelha é afetada, mas as mais vulneráveis são as sem ferrão que estão nos abrigos naturais de grande quantidade. O monocultivo avançado tem ocasionado derrubada de matas, vegetação nativa e queima elimina tudo naquele local.

A abelha da espécie Aappis Maliff possui uma longevidade de 42 dias, com uma produção de 2 mil ovos por dia da abelha rainha. Quando questionado sobre se o homem pode estar acabando com as abelhas o professor não hesita. “Mas o homem está com o planeta saturado. Se não mudarmos o sistema corremos o risco sim. O modelo atual de produção de alimentos contempla o uso de agrotóxicos. Devemos mudar o modelo agrícola. No modelo atual hoje precisamos dos polinizadores”, acrescenta Satter.

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