Quando comecei a escrever o que sinto

Durante um bom tempo, me contive em dizer o que sentia. Acho que é natural criarmos certas defesas após tantas quedas. Agora, encontrei escrevendo, uma forma de falar sobre essas emoções engasgadas. A vida real não me parece ser suficiente pra tantas coisas que sentimos, por isso resolvi usar essa arte, mesmo não sendo muito boa com as palavras. De tanto ouvir, comecei a criar histórias, ou recria-las, reinventa-las, reconta-las. Esses dias me perguntaram porquê essa decisão de escrever. Eu fiquei em silencio, pensando sobre e cheguei a conclusão: eu escrevo para me salvar de alguma coisa e consequentemente salvo quem me lê. Ou morremos juntos. Nunca se sabe.

Eu comecei a escrever o que sinto. Mas não significa que vou publicar tudo, ou que tudo vai virar texto. Alguns vão continuar sendo apenas pequenas notas, frases, rabiscos, rascunhos no caderno sem pauta; outros viram textos que eu tento elaborar o máximo possível, ou apenas jogo as palavras do meu jeito meio torto, meio eu de me expressar; outros eu mostro pra todo mundo; alguns outros, pra ninguém, depois eu deleto, finjo que nunca escrevi; alguns são dedicados a um alguém e outros, não dedico a ninguém senão a mim mesmo.

Quando comecei a escrever o que sinto, comecei a achar devia verbalizar mais nossas emoções. Ninguém nunca sabe o que passa dentro da cabeça e do coração do outro, por isso devemos ter muito cuidado nas nossas aproximações, mas parece que as pessoas estão mais fechadas em seus universos particulares, guardando um sentimento bonito por puro medo de mostrar; não falando uma palavra bonita por medo de se expor; não abraçando por medo de sentir o coração do outro batendo quase dentro de si; não olhando profundamente nos olhos com medo daquela paixão bater sem ter tempo de escapar; não se permitindo viver nada de novo que possa te tirar dos eixos, mas inconscientemente buscando e esperando alguma coisa que te desestabilize e leve à loucura.

Às vezes acabamos esperando demais dos outros e não fazemos nada, não damos um empurrãozinho naquela chance. As vezes não nos permitimos sorrir por medo de chorar lá na frente; às vezes não respondemos aquela mensagem rápido pra não mostrar o interesse, e depois acabamos sozinho.

Quando comecei a escrever o que sinto, comecei a dizer mais. Se o outro vai corresponder à sua expectativa, isso são outros quinhentos, é outro passo, e talvez tão ou mais difícil, que é lidar com aquela frustração. Mas dizer já é um bom começo. Talvez aquela resposta nunca chegue, mas a palavra pelo menos foi lançada. E aí, espero que você possa seguir tranquilo, sem aquele peso de não ter tentado.

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