Na cama com Fabi

Um diálogo sobre o escrever

Então é assim que sai um texto. Este vai sair cuspido.

Fabi diz que há um momento em que não sou eu querendo fazer um texto. Que o que passa na própria mente é o que se escreve. Como se estivesse falando para outra pessoa. Estado de flow. Fabi descreve como tornar-se o texto. O texto se escreve através da gente. Como ir ao divã falar com o psicólogo. Antes da sessão parece não ter nada a dizer, mas, no momento em que senta e respira, a pessoa desata a falar…

Enfim… essa é ela. Ela escreve assim.

Diz que às vezes demora para sair a fala. Que muitas das sessões em terapia são em silêncio, conforme seu terapeuta. Estar de frente ao blog aberto, pedindo para ser escrito, é como estar deitada no divã. Às vezes nada sai por um tempo, mas dói, e aí se olha, chama a atenção. Melhor do que ficar mexendo no facebook por quatro horas é tentar ficar com o Medium aberto na sua frente por cinco minutos.

Sim, essa é ela… e eu?

Ela lembra que tem outro fator bem interessante. O Medium é diferente das outras plataformas de blog que já existiram porque muita gente tem a coragem de escrever no Medium, e, sendo uma plataforma social, consegue-se ver a coragem das outras pessoas, e isso puxa para a gente também ser corajosa. O lay out unificado gera uma identidade visual que une a pessoa iniciante, que está recém fazendo rugir seu coração, e o escritor profissional, mestre, que há muito tempo já aprendeu a conectar seus dedos com seu coração.

A mim, a publicidade ainda assusta. Se eu escrevesse para mim mesma, como antes fazia, seria muito mais fácil. Fico pensando em quem lerá meus textos e o que isso pode acarretar para outras pessoas, principalmente as que conheço.

Ela acha curioso que transcrevi o que ela disse.

Eu disse “vai ficar até interessante”, e ela disse “mesmo que não ficasse, já é importante”. E segue: Medium é uma plataforma de expressão, de concretização. Eu existo, eu escrevo, eu tenho o direito de dizer. Só o tempo vai dizer quais escritas são para ser lidas. A escrita precede a leitura. Tem muito mais escrita do que capacidade de leitura. Ser lido é um privilégio (ela já disse isso para Andrei).

Novamente ela se surpreende de que eu esteja transcrevendo a fala dela. Agora ela vem e começa a me beijar, sorridente, divertida. Ela vê o que acabo de escrever sobre o instante imediatamente anterior e cai na risada.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.