Este cocô é meu

Aí você vai trocar o bebê no banheiro. Empurra a porta com o pé. Manobra a bolsa, o trocador, o bebê, o lencinho, o macacão que tem 15 botão — quem inventou esta roupa difícil?, aquela barrada amarelo ouro que mancha o body branco que vai gastar 3 litro de Vanish pra limpar. Mela as costas do bebê, mela sua mão, mela sua paciência e a mina passando batom no espelho te olha e sorri. Cê sorri de volta, vai que ela é o anjo dos bebê cagado que veio te salvar.

- Você não tem nojo, não?

Olho pra Maria. Olho pra mina. Olho pra mim no espelho — descabelada, suada no ar condicionado, pleno outono, sem batom, ca mão melada do mais puro cocô da introdução alimentar: 
 — Tenho não. É uma delícia, até como ‘asveiz.

Ela enfiou o batom na bolsa sem tampa mesmo e sumiu.
Vamos dar um up até encontrá -la pra que eu possa devolver a tampa. (Mentira, larguei lá em cima da pia mesmo. Vai que, né? )

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