E você? Vive do passado com seu LinkedIn?

Já começo deixando claro: isso não é uma crítica ao LinkedIn e sim ao sistema e a como a maioria das empresas e pessoas se colocam no âmbito colaborativo.

Vai lá. Dá uma olhada no seu LinkedIn.

No meu consta todo o meu passado profissional: desde quando tinha 19 anos em Nova York até a minha decisão, há 3 meses atrás, de abrir a abeLLha.

Até aquela intro antes de entrar nos cargos que tive fala bem mais do meu passado. E a gente até fala disso com certa pompa, né? Usamos palavras difíceis, jargões importados — às vezes intraduzíveis — e termos vagos, na tentativa de mostrar o quanto somos diferenciados da massa de perfis Linkados.

Profit. Proven track record. Implementação. Otimização. Budget. Sucesso. Liderança. CEO. COO. CTO. Yada, blobis e pluft.

Sim, você hoje é pois teve seu processo de experimentação e suas vivências. E tudo isso, espero eu, te fez caminhar no seu caminho, passo a passo na direção do que você busca.

E o que você busca?

E se as empresas deixassem mais claro o que buscam? E se, de fato, mostrassem seu propósito?

E se as pessoas fizessem o mesmo?

Minhas experiências profissionais ajudaram a me tornar quem sou. Só que muitas outras, não necessariamente consideradas profissionais, também contribuíram na busca e entendimento do meu propósito.

E isso não vem só dos talentos que desenvolvemos na profissão. Somos uma combinação muito bonita de curiosidades e experimentações — passadas e presentes — o que nos leva adiante no nosso caminho.

É essa combinação de talentos — que aprendi na profissão ou não — que eu posso oferecer pro mundo.

Só que aí a gente se depara com um sistema que tá mais preocupado com quem você foi do que com quem você quer ser. Que não leva em consideração esses outros talentos “não profissionais” nem suas novas curiosidades.

F*da, né?

Colaboração deve começar com um encaixe de propósitos, seja ela empresa com pessoa, pessoa com pessoa, pessoa com pessoas.

Devemos nos perguntar: como nossos caminhos e o que buscamos se entrelaçam?

Os talentos — que vem de vivências do passado — vêm depois desse questionamento. E devem ser complementares.

Precisa existir encaixe aí também: se eu não sei como fazer algo, com certeza tem alguém que sabe e que vai fazer mil vezes melhor e com mais paixão, pois é o que essa pessoa busca. Isso pode, não necessariamente, vir de um talento considerado profissional.

E por que não, enquanto contribuo com um talento, não desenvolvo outro? Algo novo, que busco através de minhas curiosidades.

Estamos perdidos? Não.

Empresas e pessoas estão começando a perceber e vivenciar esse movimento. É algo lindo que se inicia e que resulta em colaboração genuína: estou aqui porque acredito (propósito) e porque você me ajuda (com seus talentos) a caminhar no meu caminho e eu no seu.

O resto é consequência: Profit. Proven track record. Implementação. Otimização. Budget. Sucesso. Liderança. CEO. COO. CTO. Yada, blobis e pluft.

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Gustavo Tanaka também falou sobre esse assunto nesse artigo. Recomendo a leitura.