Reflexões sobre os últimos 9 meses

Organização, otimização, produtividade, equilíbrio ócio/ação, dizer "não". Temas como esses estão constantemente em meus pensamentos.

Depois que saí do bomnegócio.com/OLX, a dinâmica do meu dia-a-dia mudou bastante. Para começar, a maior parte do meu tempo, nos últimos 9 meses, tem sido voltada para possibilitar o crescimento de um negócio em que toda experiência que tenho foi adquirida no estilo "mão-na-massa": a construção da abeLLha — uma incubadora social.

Já com o Honeycomb — nossa ferramenta de gestão estratégica e operacional — e com o GoodPeople — app que conecta talentos complementares para tirar ideias do papel — me sinto mais em casa pois são processos similares ao que vinha fazendo antes.

O meu papel principal é pensar e viabilizar financeira e estrategicamente (encontrando as pessoas certas) o ecossistema da abeLLha em suas três frentes.

No GoodPeople, que é liderado pelo Max, a minha função é muito mais no aconselhamento e estratégia. No Honeycomb, projeto que ainda não tem um "dono" claro, ela é voltada totalmente para alinhar e desenvolver a equipe que vai escalar o negócio. Na abeLLha, que é liderada no dia-a-dia pela Beta e Fel, sou responsável pelas mentorias dos projetos incubados.

Isso quer dizer que na minha semana, como na de qualquer empreendedor que tenta crescer um negócio em estágio inicial de tração, vestir múltiplos chapeuzinhos é algo normal.

Listo abaixo algumas percepções que tive ao longo dos últimos 9 meses:

  • Foco — acordar e dormir pensando em uma coisa só: no começo a gente se dividia nos 3 projetos e cada um trabalhava diluindo sua habilidades. Bleh! Pior coisa que fizemos. Começamos a nos sentir rasos, correndo pra executar tudo. Agora, cada asset dentro do ecossistema da abeLLha (abeLLha social, Honeycomb, e GoodPeople) tem um dono, que vai dormir e acorda pensando só naquilo. Pra não ficar "isolado"esta pessoa também faz parte do conselho do ecossistema. Isso gerou muito mais qualidade, profundidade e tempo pra ócio-criativo.
  • Estar cercado de pessoas brilhantes que pensam diferente de você: Isso vale para o time que toca o barco no dia-a-dia como quem está vendo as coisas de fora. Para ajudar o ecossistema da abeLLha, criamos um conselho com pessoas que admiramos e que, acima de tudo, têm um olhar extremamente crítico e complementar para nos ajudar ao longo da caminhada. Encontramos com elas uma vez por mês e discutimos um único tema a fundo.
  • Trabalhar de maneira horizontal se faz necessário: E é pra isso que existe o Honeycomb. Isso não quer dizer que todos vão usar a nossa metodologia e produto mas sim que as relações de colaboração — trabalho, freela, ajudas — serão pautadas em propósito, contexto, autonomia e horizontalidade. Não conheço uma empresa que tenha feito essa mudança e não tenha se dado bem.
  • Monetizar antes: Valuation vem depois. Existe uma mentalidade, e pensávamos assim também, de que levantar a grana de terceiros no começo é a melhor opção. Não foi bem assim: a abeLLha chegou no break-even (cobrir os custos) em 4 meses. O GoodPeople, está estudando propostas de parcerias monetizáveis (que fazem sentido para o usuário, gerando crescimento e engajamento) desde já. Um negócio que gera capital é muito mais real do que um especulado. Mesmo que talvez (e provavelmente) você precise de uma bolada mais pra frente para escalar, monetizar mais cedo te deixa à frente nas conversas com potenciais investidores.
  • Acordar cedo: se você começa a trabalhar antes do mundo acordar você já largou na frente. Não estou falando pra você não ter vida, mas o sentimento de dar 10h e você já ter movido o mundo é maravilhoso. Eu levanto 6h e começo a trabalhar 7:30 ou 8h mas estou me condicionando pra acordar 5h.
  • Ter paciência e equilíbrio: uma marca se constrói com visão a longo prazo e foco em geração de valor: dê às pessoas informação, educação e conhecimento, mesmo que elas não consumam seu serviço ou produto. Não é fácil balancear isso com a necessidade de lucro a curto prazo mas é algo que precisa acontecer e ser questionado constantemente. Quem pensa só na transação e não na mudança que quer gerar no mundo — sua marca e sua proposta de valor — vai morrer cedo.
  • Saber que seu "não" reafirma o seu "sim": todas as vezes que você diz “não” pra algo, está reafirmando o seu comprometimento com o que deixaria de fazer caso dissesse “sim”. No meu caso, tenho recebido propostas de projetos incríveis e sedutores (e não digo isso no sentido financeiro) mas, cada vez que digo “não” pra alguns deles, reafirmo meu comprometimento com o ecossistema da abeLLha e com cada um que faz parte dele. A visão a longo-prazo de gerarmos impacto nas camadas C, D e E por meio do programa de incubação na abeLLha social, de mudarmos a forma como as pessoas colaboram pelo GoodPeople e de transformarmos o modo como as empresas operam para entregar melhores resultados por meio do Honeycomb, me mantém focada para seguir naquilo que venho construindo nos últimos 9 meses.
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