Sei lá, antigamente eu não prestava muita atenção em algumas coisas da natureza. Acho que é bem assim mesmo: um dia a gente precisa entrar em contato com ela, pra não ficar totalmente perdido. Quando sento no meio daquelas árvores na cachoeira, e mantenho minha mente em silêncio, ela começa a entrar em harmonia com o barulho da água e o barulho do vento. Me lembro bem da sensação que eu sempre tenho quando chego naquele lugar. Um cheiro de vida, cheiro dos Deuses que ali reinam, cheiro de uma vida que tenho a impressão de não ter sido vivida, mas com aquela esperança de que ainda possa ser. Aquele universo era completamente diferente. Nunca havia sentido tamanha conexão com o íntimo do mundo, a simplicidade da existência. Causa até um frio na espinha, um medo da dimensão que isso pode tomar dentro de mim. Meu corpo inteiro sente a sensação das respirações da floresta, e a água que agora corre pelas palmas das minhas mãos, como se levasse minha alma junto com o fluxo, limpando, cuidando. Sinto meu corpo agradecer, como quem por muito carregara uma bigorna e agora finalmente pode deixá-la cair pelo penhasco. Incríveis sensações que a vida pode nos proporcionar. Talvez seja isso também o que chamam de existir: sentir a vida, sentir o pulsar do coração do mundo, mesmo que isso assuste. Acredito que o medo deveria existir no momento que o corpo se torna incapaz de sentir o pulsar da vida e agradecer por ele habitar também em mim.

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