machismo


gastei exatos três meses em um estudo sobre comportamentos de risco com um enfoque em exclusão social. enquanto revisava as informações para um congresso da qual estou participando, me deparo com a grande diferença entre a emissão comportamentos de risco de homens e mulheres. foram analisados comportamentos de risco sexuais, infracionários, suicidas e de uso de substâncias. não é nenhuma novidade que pessoas do sexo masculino tendem a se comportar de maneira a se envolverem mais situações de risco do que as do feminino, tanto que os níveis de suicídio, doenças causadas por álcool e outras drogas, mortes no trânsito é de maioria masculina. mas por um segundo eu fiquei sem entender uma coisa: por que isso não se é discutido?

porque não falamos de como os homens (sejam eles gays, héteros, babacas ou que gostem de zeca pagodinho) acabam se machucando em troca de passar uma falsa imagem de “masculinidade” apenas para provar para os outros (e também para si mesmo) que eles são capazes de suportar qualquer coisa – e isso, pequeno gafanhoto, inclui participar de uma roleta russa ou pular de uma ponte, só porque seus amigos disseram que eles deveriam fazer isso (74% e 89% dos participantes do sexo masculino responderam que participariam destas situações respectivamente caso fosse sugerido pelo seu grupo social). falamos sobre feminismo, sobre os efeitos do machismo nas mulheres, etc etc… mas e os homens?

os homens. seres humanos. nossos pais, irmãos, amigos, namorados, esposos, professores e o padeiro da casa ao lado, todos os dias eles necessitam provar para si mesmo e para os outros sua masculinidade.

o machismo mata. machuca. as mulheres.

o machismo mata. machuca. os homens.

mas nós não falamos sobre isso. o buraco que o machismo causa em nossa sociedade é bem mais fundo. a faca tem sim dois gumes, e enquanto fere um corta os dedos do outro.

“mas as mulheres morrem todos os dias, as mulheres apanham todos os dias, tem seu corpo violado, sua saúde mental destruída… por homens”. sim, eu sei. já fui assediada, já fui abusada, já tive minha saúde mental destruída… por homens. e a culpa não foi minha. sei disso. a culpa foi deles. sei disso. não estou aqui para passar pano para homem escroto. mas sei que por trás dos assobios, das palavras sujas e dos puxões no meio da balada, houve um ensinamento. para vocês que tanto falam sobre ideologia de gênero, que tal falar sobre ideologia de machismo? sim, meus caros, nós doutrinamos os nossos homens a serem machistas. lidem com isso.

sei que isso não irá ter um fim de um dia para noite, sei que muita coisa mudou e que ainda é preciso mudar muito mais. espero eu ajudar nessa mudança. mas mesmo acreditando nessa possível mudança, não vou mentir: eu acelero o meu passo na rua se eu vejo um homem atrás de mim. e acredito que você mulher também faz o mesmo.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.