Ventania

Foto Caseira

Toco á vida escrevendo, observando e amando. Apesar de amar menos, mas considero o amor como rosas e eu tenho um canteiro de rosas, tenho muito amor. Mas eu não o quero, nessas ruas sem saída, eu não o procuro, é ele que não me permite andar, mas eu o impeço de reinar sobre mim. Ando muito sobre roseiras, sinto o cheiro da paixão, indo até a floricultura e trapaceando a placa de proibido á entrada. Andei tanto que me esvaziei e me tornei vento, as folhas me acariciaram, me guiando entre janelas abertas durante á noite estrelada. Entrei numa delas, uma garota pequeninha, reza á beira da janela, para que seu pai volte vivo da guerra, tropecei em uma das velas aromáticas e á apaguei, a garotinha chorou e forcei-me á sair do quarto quando ela estava prestes a fechar á janela.

Me voltei para o mar, ele se remexia e não ficava calado quando eu passava, tento parar as ondas, mas ele me joga em uma sacada de um resort. Numa cadeira de madeira, uma mulher escreve e eu a refresco, ela não notou que a tinta de sua caneta acabou, estava tão concentrada nas linhas turvas de seu diário, que não escapava nenhuma palavra sem sentido sobre o seu dia sem graça, mas eu compreendi a felicidade dela em fugir junto as amigas para um lugar em que nunca as encontrariam, eu consigo sentir suas emoções, sem ela falar, ou, escrever. O seu coração estava á um milhão de rosas. O mar bateu na costa e me levou para o oeste.

Estavam me levando com sensibilidade, por meu corpo sinto algo, uma pipa. Ela nada por mim com ternura, sinto ela como as águas sentem os peixes. Ela sendo minha rosa dançando junto á mim pelo alto do vale, pelo alto da montanha, pelo deserto, pela chuva e pelo alto do céu. Eu sou tudo o que ela sente e eu sou todo o sentimento preso em cada um. Eu sou á ventania que compadece os dias.

-Ana Laura