Originalmente publicado no Instagram

16–10–1991, 14h48 O relógio digital que Jonas ganhou de presente dos pais vinha com um cronômetro, que logo se tornou seu recurso favorito. Cronometrava tudo. O percurso até a escola, os minutos que passava no chuveiro, a meia hora que tinha para ver TV antes de fazer o dever de casa. Gostava de contar o tempo. Foi quando descobriu que a areia da ampulheta de madeira que enfeitava a estante da sala levava exatos sessenta segundos para ir de um lado a outro do objeto. Os minúsculos grãos escorriam sem pressa pelo vidro em forma de oito, era o minuto mais longo de sua curta vida. Parecia que o tempo passava mais devagar quando ele contava e então parou de usar o cronômetro. Jonas queria que o tempo passasse ligeiro, queria crescer e sair e trabalhar e contar suas histórias e ganhar seu próprio dinheiro. Não queria mais ser criança. Anos depois, porém, lembraria com saudades da infância, dos sonhos ingênuos do tempo em que era criança.

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