Feio
E tudo bem.
Teve esse dia que eu finalmente tomei coragem para falar com uma palestrante que eu admirei muito. Eu me levantei, perguntei alguma coisa e elogiei o trabalho dela que, por nota de curiosidade, é mesmo fantástico. Eu não costumo me dirigir às pessoas, nem aparecer demais, porque tenho essa insegurança e já estou combinada com ela. Mas resolvi me superar naquele momento (confesso que eu poderia ter escolhido algum outro melhor).
Daí eu fiz papel de ridícula, é claro, porque não estou acostumada a conversar com quem não conheço, então eu erro inclusive no tom de voz. Mas dei aquela suspirada e tudo bem, vamos lá. Só que daí eu por acaso me olhei no espelho e percebi que, também fisicamente, me superei no ridículo. E fiquei triste, porque hoje é difícil ser esquisitinho e não dá pra escapar desse desconforto tão fácil.
Mas no momento que eu pensei “puta merda, eu podia ter escolhido um momento melhor pra isso” surgiu um pensamento muito maravilhoso que naquele momento fez toda diferença: e daí?
É comum ser feio. Todo mundo é feio pra alguém. Eu estava bem esquisita naquele momento e o problema era meu, e se isso foi importante para aquela moça então o problema é dela. Então eu não poderia ter escolhido um momento melhor para ter me superado porque eu superei várias coisas ao mesmo tempo e foi ótimo.
Porque a gente é feio, e tudo bem.
