I. S.

Pego o caderno te xingando baixo, sorriso na cara, me deliciando a cada palavra suja dirigida a você que nem está aqui. Achei que passaria a noite chapada, enchendo a cara com todas as bebidas baratas da geladeira, no entanto, cá estou, largada no chão da sala, copo ao lado derretendo o gelo entre pedaços do limão que antes curtiam livre no álcool, escrevendo como uma adolescente com seu diário. Enquanto isso releio suas descrições sobre os traços da minha boca e possíveis caminhos a percorrer até encontrar a sua.

Então escrevo. Deito em linhas toda a minha vontade de te trazer pra cá enquanto Amy canta invadindo cada centímetro desse apartamento.

I cried for you on the kitchen floor…

Não era a cozinha. O choro não era por você. Mais uma vez meu egocentrismo inundava tudo por aqui e o choro era por mim, talvez frustração por não ter esse momento, você entre minhas pernas ou sussurrando entre meus lábios quase rentes aos seus.

E, de pensar, meu corpo vibra.

É essa sensação, Garoto, que me faz acordar no meio da noite e querer pegar a estrada até parar na sua porta, nua como na música, só para te testar, saber realmente até onde vai esse teu gosto por loucura, saber se alcança o topo do meu metro e meio de altura ou se é como o mar, que de tanto avançar, hoje recua.

Enquanto isso, fazemos um trato, troquemos pensamentos e pequenos prazeres como livros e outras artes, Garoto, talvez assim ninguém saia cedo demais da festa.

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