Mudar dá trabalho…

Em 2011, quando eu me mudei de São Paulo para o Rio, eu estava muito otimista. Era quase um clima de final de novela, "happy end", tudo ia ser melhor dali pra frente, afinal eu tinha dado muitos passos de uma vez: sair da casa da minha mãe, morar com o namorado, mudar de cidade e de carreira.

Foi no Rio que eu consegui minha primeira oportunidade em UX, depois de 7 anos trabalhando como redatora de conteúdo, os últimos 3 em um e-commerce. Porém, aquele clima de otimismo logo foi baixando e revelando a dureza das mudanças: trabalhar em uma empresa pequena, ganhar menos que em SP, ser PJ e voltar a ser "júnior" na equipe.

Mudar de profissão no meio do caminho não é simples, mas quem o faz sempre conta com uma vantagem: a experiência anterior, mesmo que a mudança seja radical (não foi bem o meu caso). Nos meus projetos, eu sempre combinei minha experiência como redatora com o que aprendia em arquitetura de informação. Foi tranquilo entrevistar usuários, fazer análises de conteúdo e netnografia, pois havia uma base formada.

Além disso, fui encontrando grandes professores pelas empresas que passei, enfrentando os desafios dos projetos, experimentando, pesquisando muito. Conheci pessoas incríveis que haviam estudado pouco no ensino formal e haviam "se formado" estudando sozinhas, lendo, pesquisando, trabalhando. E eram ótimos profissionais!

Nesse tempo, mesmo tendo optado por continuar minha educação "formal" (acabo de concluir um MBA), não deixei de me sentir responsável pela minha formação. Não dá para delegar para professores, coachs, faculdades a sua responsabilidade de ser um profissional melhor. Não é pagando uma mensalidade que se aprende as coisas, é dedicando tempo, bastante tempo. Aliás, tempo é a melhor medida das nossas prioridades.

Resolvi escrever sobre isso, porque com frequência alguém me pergunta: "você é jornalista, como foi que virou designer?" — Eu não sei se "virei designer", eu estudei, estudo e trabalho muito e prefiro me definir sempre como uma pessoa "em formação".