Existem diversas apresentações das uveítes, que variam de acordo com a parte da úvea que foi afetada. A uveíte pode ser classificada de acordo com a área inflamada e esta classificação é muito importante para auxiliar no diagnóstico, porque algumas doenças só atingem o fundo do olho e outras só a parte da frente do olho.

Quando a área inflamada é a frente do olho (por exemplo, a íris, a parte colorida do olho, que faz parte da úvea), trata-se de uma uveíte anterior.

(Visão do corte lateral do globo ocular. A área azul corresponde à parte anterior do olho, onde ocorre a uveíte anterior)

Quando a área primária de inflamação é o vítreo (gel transparente que preenche o interior do olho), chamamos de uveíte intermediária.

(Visão do corte lateral do globo ocular. A área azul corresponde ao segmento intermediário do olho, onde ocorre a uveíte inermediária)

E se a parte atingida for o fundo do olho, trata-se de uma uveíte posterior.

(Visão do corte lateral do globo ocular. A área azul corresponde ao segmento posterior do olho, onde ocorre a uveíte posterior)

Em alguns casos, todas as partes da úvea estão inflamadas ao mesmo tempo, o que chamamos de panuveíte (“pan” significa tudo).

(Visão do corte lateral do globo ocular. A área azul corresponde ao acometimento de todas as estruturas da úvea, tratando-se de uma panuveíte)

Logo, um dos primeiros passos na investigação da uveíte é a sua correta classificação, pois o médico vai investigar as doenças que causam tal tipo de uveíte. Conversar sobre a saúde, os hábitos do paciente e o histórico de doenças da família são cruciais para detectar sintomas e fatores de risco que apontam para o diagnóstico. Além disso, pode ser preciso realizar exames complementares, que incluem exames oftalmológicos mais complexos, exames de sangue e exames radiológicos.

Diversas doenças estão associadas à uveíte. Portanto, o oftalmologista deve estar atento aos outros sintomas do paciente, mesmo que pareçam não ter nenhuma correlação. Exemplificando: por que perguntar se o paciente tem dor lombar pode ser importante quando o paciente tem uveíte? Porque ambas podem ser manifestações de uma doença autoimune chamada espondilite anquilosante.

Nesta doença, a inflamação das articulações do quadril causam a dor lombar, que é a mais frequente, embora possa ocorrer em outras articulações. Ocorre com mais frequência em homens jovens. Sem tratamento, a longo prazo, pode ser incapacitante por causar deformidade das articulações. Embora não tenha cura, tem controle com medicamentos. Nem todo paciente com espondilite anquilosante terá uveíte, mas é uma pessoa mais susceptível que precisa estar atenta aos sinais e sintomas oculares e procurar o oftalmologista rapidamente, caso ocorram.

Neste caso, o paciente precisa de consultas periódicas com o oftalmologista e com o reumatologista, para adequado controle da doença e preservação da qualidade de vida.

11 de outubro de 2018: DIA MUNDIAL DA VISÃO

“Saúde ocular em todo lugar”

Uveíte na prática

Written by

Dra. Ana Luiza Biancardi

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