O sol se põe para todos

Se você parou, precisa recomeçar. De algum lugar. Não de qualquer lugar. “Tem que ser o lugar certo”, é o que você pensa. À sua volta parece o caos. É difícil se relacionar com outras pessoas quando você nem mesmo consegue se relacionar com si próprio.

“Será que irão me aceitar? Será que eu vou me aceitar? Me encontrar? Como é que faz pra agradar os outros? E como faz para não se importar com isso? Será que é isso mesmo o que se deve fazer?”. Pane. Medo. Questionamentos. Pressa. Espera. Paciência. Impaciência. Que ciência complexa essa de ser humano.

Serumano. Ser inteiro. Ser verdadeiramente quem se foi criado para ser. Ser íntegro, saber o que é ser integralmente vivo, viver em sua integralidade de ser. Do ser. Do saber. Do saber existir e coexistir, com uma humanidade tão ferida, tão caída quanto… Eu. O sol nasce para todos, mas também se põe para todos. Saber apreciar as cores do poente é o que precisamos aprender. Preciso.

Preciso, logo existo. Viver nessa redoma do eu, eu, eu, é o que me fere. Uma existência que foi criada para ser, para dar, compartilhar. Para olhar para o outro, pra fora, sem hora marcada pra olhar. Sentir, tocar, pensar, abraçar. Alcançar o que é humano como eu. Às vezes cansa olhar pra dentro. Olhar pra dentro e só. Mas às vezes precisa. É preciso saber o que há dentro de mim, pra saber o que há dentro dele ali. Ali, do outro lado, na outra curva, na outra pessoa. O sol que nasce para mim nasce ali, o sol que se põe em mim, se põe no próximo. E que ótimo, poder saber e dizer que ele voltará a nascer. Voltará para mim, voltará para você. Até que seja dia o mais escuro anoitecer.