Por universidades e cidades mais seguras

(Placa de entrada da Universidade Federal do Maranhão)

A notícia da morte de um aluno na sexta feira, 5 de agosto, no prédio do Centro de Ciências Humanas da Universidade Federal do Maranhão me deixou triste e reflexiva. Os comentários da nota de pesar publicada pela Universidade em redes sociais me parecem ser outra face do problema.

A situação ainda se agrava se lembrarmos que em julho deste ano, também ocorreu a morte de outro estudante, no campus Fundão da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Portanto, em um mês tivemos registradas as mortes de dois estudantes negros, gays dentro de universidades públicas.

A questão não é somente a “fatalidade” das mortes por violência. É a repetição de casos como esses em nosso país. LGBTfobia, racismo, misoginia… as marcas do corpo, das identidades sendo motivo de atentados frequentes e cotidianamente. Assim, não se trata aqui de enxergar os fatos como isolados.
O problema da mortalidade de jovens negros, infelizmente, é um dilema nacional.
(Campanha da Anistia internacional com jovens negros).

Nos comentários sobre a tragédia, alguns diziam sobre o quanto a UFMA é perigosa por estar localizada em um bairro de periferia de São Luís. Outros falaram que o problema são as imediações da universidade e a falta de policiamento no local. Houveram até aqueles que deram “graças a Deus por não estudarem lá”

Mas não é só o policiamento que tem que existir no campus, como diziam os comentários, nem a Universidade que tem que mudar de bairro, ou as pessoas que tem que ir pra universidades privadas pra se livrarem da violência. Pois o fato é que não importa se é um bairro de classe A ou C, a violência, a intolerância e o ódio avançam em progressão geométrica em nosso país.

É importante lembrar, que medidas emergenciais e pouco estratégicas, como a inserção da polícia nesse espaço, nem sempre garante resultados efetivos e favoráveis aos estudantes e ao entorno do campus. Sabe-se que, apesar de exceções, a polícia que destina-se a garantir a segurança nesse contexto é a mesma que reprime manifestações de estudantes e professores e a mesma que mata jovens negros nas periferias.

A questão desse tipo de violência é muito mais abrangente e séria do que pensamos a primeira vista.

Pensar a universidade como espaço de debate pode parecer uma repetição clichê, no entanto, ainda é uma forma de se (re)construir um espaço acadêmico mais justo. Cobrar políticas públicas mais adequadas aos estudantes e pensar em conjunto (corpo discente, docente e administrativo da universidade) estratégias e mecanismos que podem minimizar os efeitos das diversas formas de violências vividas nos campus das nossas universidades também pode ser um caminho.

O diálogo e a cobrança por formas de vivências mais dignas na universidade ainda é uma saída possível para muitos problemas enfrentados pelos estudantes.

É certo também que não dá pra cobrar de nós ações que somente a Universidade e o Estado podem tomar. Mas podemos sim ser mais dedicados a desconstruir ou demolir os tijolos que tem erguido essa cultura da violência que cada vez mais se solidifica.

A violência também decorre da falta de uma educação de qualidade e acessível e de formação humanizada. Desta forma o que precisamos é garantir que nossas universidades sejam (e continuem)públicas, seguras, gratuitas e de qualidade e que continuemos cobrando, falando e resistindo sempre contra o retrocesso.

Contribuições de Danilo Lima