Por que eu faço psicoterapia?

Era uma manhã de março de 2014 e eu chorava ao telefone conversando com minha mãe. Estava desesperada porque iria fazer uma prova de um concurso. Estava desesperada porque não queria fazer a prova e não sabia o que fazer da vida. Uma pessoa com as emoções no lugar não estaria naquele lugar. Estava debruçada em um problema que era fácil de resolver, mas ficava descontrolada todas as vezes que o assunto vinha à tona.

Seguiram-se várias crises de ansiedade em que não havia nada que eu pudesse fazer para parar. Eu comia compulsivamente, chorava e dormia. Até que um dia comecei a fazer planos para “sumir”. As ideações começaram e os planos tomavam forma. Fiquei com medo, mas conformada de que isso era inevitável.

Em junho me dei conta que tinha algo de errado. Eu já tinha abandonado tudo que achava que me deixava mal e não tinha resolvido nada. Decidi procurar ajuda urgentemente. Encontrei o que eu precisava na psicoterapia.

Demorou um pouco para que eu começasse a entrar nos eixos. Todos os dias indo e voltando do trabalho pensava em quanto um acidente me pouparia de atentar contra a minha própria vida. Passei meses achando que o tratamento não funcionava até que funcionou. Acho que as coisas mudaram quando me empenhei e deixei de acreditar que era a minha psicóloga, e apenas ela, que tinha a responsabilidade pela minha sanidade.

Eu faço psicoterapia porque eu preciso desse tempo em que aprendo quem sou eu e o que devo fazer para cuidar de mim depois de tantos anos me desprezando. A psicoterapia é um afago que faço em mim mesma.