Rascunho

Sou internacionalmente conhecida (graças as pessoas que conheço e vivem em outros países) pela minha capacidade de ter mais rascunhos que textos publicados em qualquer plataforma que escrevo. Até post do facebook eu edito, edito, edito e desisto de postar. Sou a minha pior (ou seria a melhor?) crítica.

“Tá muito dramático, muito pessoal, muito depressivo, muito superficial, não faz sentido, as pessoas não vão gostar, não gostei, não faz sentido, esquece isso, corta isso também, não vai dar, vai pro rascunho” Machado, Ana

Hoje acordei com um peso nas pernas que não é normal. Ao invés de bom dia recebi uma avalanche de pedidos e voltei para cama sem tomar café da manhã. Queria que o dia recomeçasse, mas foi mais do mesmo.

Tentei escrever e não consegui publicar. Editei um texto da pasta de rascunhos. Ele ainda não está bom. Começo outro e desisto quando a internet se vai.

Pensei em quantas coisas aconteceram esse ano. As pernas pesam mais. Cochilei. Acordei. Joguei, mas logo fiquei entediada. Assisti uma série e me cansei novamente. Fiz uma lista mental de motivos para estar prostrada e nenhum faz sentido.

São mais rascunhos que textos publicados. Os textos não listados existem também. Ao mesmo tempo que quero publicar, não quero. Um conflito tão grande que mesmo deixando o texto descansar um mês e editando da melhor maneira possível nunca é bom.

As pernas ainda pesam. Sentei na cama. O estômago também dói. Chego a conclusão que sou grata por 2016. Mesmo perdendo uma pessoa querida, mesmo me perdendo de mim mesma, mesmo vendo pessoas se perdendo sem poder ajudar. Amanhã o dia vai ser melhor.

Ninguém se importa com o que publico ou não. A pasta de rascunhos cheia é só um reflexo das minhas inseguranças. Se eu postar os rascunhos, o que acontece com as minhas inseguranças?