O feminismo e o medo de não agradar

Sou relativamente jovem na área da militância. Mulheres com mais entendimento sobre o tema e mais aptas para debater sobre feminismo são mais velhas, geralmente já possuem alguma graduação ou especialização na área. Minha formação feminista vem de alguns textos, alguns livros, algumas experiências, análises, pensamentos, coisas da vida. E é por isso que rola um medo de errar.

Rola um medo de soltar opinião, porque mesmo você tentando se desconstruir, ela pode ser machista. Eu já fui na maior paz postar algumas coisas que pensei e de repente recebi comentários que me fizeram mal. Não mal porque a pessoa foi agressiva, mas mal porque eu não tinha percebido que estava errada e fiz algo errado publicamente.

Por isso, feministas mais velhas, sempre vamos preferir que nos repreendam via inbox. Fazemos o que fazemos por bem, se não nos expressamos da melhor forma, nos ajudem.

Mas o medo de não agradar é constante. O feminismo é muito lindo no começo e pode continuar sendo lindo sempre - apesar das possíveis dores -, se você souber lidar com ele. Mas feminismo também pode ser tóxico, principalmente o virtual. Feminismo pode ser tóxico porque as vezes acabamos levando a militância como palco e tratando as ativistas como competidoras, a luta se torna rivalidade. Qual é a melhor? Qual tem mais alcance, mais likes?

Mas nada disso pode nos desviar da nossa luta. Você não precisa agradar ninguém, não precisa saber Simone de cabeça, nem saber debater sobre tudo. Leia sempre, ouça sempre, pergunte sempre. Na paz, sem violência, com respeito. Evoluir, sempre. Não deixe o medo de não agradar te limitar, afinal, ninguém nasce uma Djamila Ribeiro, mas torna-se.