O tempo como capital
Mayara Lobato
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Essa corrida contra o tempo nos leva pra onde? Não sabemos. Pelo menos eu não sei.Talvez para o adoecimento, creio eu. Será que vemos sentido nisso ou apenas seguimos a correnteza, pois nadar contra ela cansa e dá trabalho? Fico pensando muito a respeito dessas coisas e cada vez mais tenho vontade de ir pro meio do mato. Quando a gente se dá conta, a vida passou num piscar de olhos, sem sequer termos aproveitados os frutos da correria.

Colocamos desde cedo nossas crianças nesse redemoinho doido do tempo. Elas não podem ficar ociosas. Têm que fazer aula de inglês, ballet, capoeira, natação, judô e ainda o reforço para o dever de casa, que cobra cada vez mais assuntos que talvez nem sejam úteis no cotidiano. Mulheres que acabaram de ter filhos têm dificuldade de reinserção no mercado de trabalho, pois esse sistema de oito horas diárias, no mínimo, fora o transporte e horário de almoço, é muito cruel com quem tem um bebê que precisa de tempo junto. Como flexibilizar isso em tempos em que a produtividade é o mais valioso dos bens? Tenho a sensação de que tudo está ao contrário.

Também acho estranho se medir produtividade por tempo de serviço. Acredito que tempo livre, ócio, descanso são benéficos para qualquer ser humano, inclusive para produzir melhor. Tem um documentário brasileiro, “Tarja Branca”, que trata sobre isso. Não assisti ainda, mas o trailler já me instigou o suficiente para colocá-lo na minha lista dos “filmes pra já”.

Ótimo texto e ótima reflexão. É assim que podemos começar a mudar as coisas. Estimulando e compartilhando ideias.