No rumo, na contramão, no avesso

Caía a tarde.

Linda, colorindo o céu de uma mistura de tonalidades e sensações. A mesma mistura que carregava dentro.

Um alaranjado vermelho copiando o fogo que sentia na alma só por pensar no que não foi, mas poderia ter sido. Desejava que sim.

Uma pincelada amarela suave, como o sorriso de canto de boca que dava seu coração a cada rodopio de poesia.

As nuvens cinzas e densas, lembrando que há nuvens cinzas e densas pelo caminho.

As vidas de cada um, cada qual tentando ser.

Existir.

Sentir.

Arder.

Entender.

Não…

Não se entende o que traz o coração do homem.

Somente está ali.

Num rebuliço.

Tropeço de salto agulha que fura, fere, provoca.

Numa dança de cigana que sempre foi e esconde, mas que desperta.

Na minha estrada que leva pro teu mar.

Apenas segue.

No rumo do pensar, na contramão do sentir, no avesso do querer.

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