Os dias de hoje.

Eu gosto de dar nome às coisas. Já dei nome para brigadeiros, estojos, lápis, a minha cama, a minha coberta, alguns donuts, entre outros. Sempre gostei de ver como um nome faz tudo ficar mais pessoal, mais próximo e por fim ter mais ou algum sentido. Nós queremos sempre que as coisas façam mais sentido quanto possível, de forma que o mundo seja mais facilmente acessado e entendido; porque uma realidade incompreensível é angustiante. É como se, de algum jeito distorcido, o nome das coisas lhes desse um perfil, um jeito de ser, algo a que procurar, uma missão, um objetivo e portanto um razão, um motivo e justificativa para sua existência. Uma justificativa para a nossa existência. Não é o que nos guia!? Independentemente de para onde nos guia. Não é essa a essência da jornada existencial de cada um!? Sejam cristãos, espíritas, budistas, niilistas ou de qualquer uma das outras milhares de crenças espalhadas. Em algum momento deve-se perguntar, qualquer pessoa, o propósito de sua existência, para que a mesma ganhe e mantenha um sentido. Então dão-se nomes. Bem como o meu nome, ele tem um motivo para ser este e para meu pai e mãe eu tinha um motivo para estar aqui, para os professores ganho outro nome, “aluna”, e logo mais um motivo para estar ali, para os meus amigos eu ganho ainda outro nome e mais um propósito. Assim, sucessivamente, tenho uma lista de nomes, por sorte eu também posso escolher alguns para mim. E então chegamos à verdadeira ideia por trás desta longa divagação. “James Gatz”! Para quem já leu “O grande Gatsby” de F. S. Fitzgerald, um tapinha amigável nas costas e um sorriso franco: “Estamos juntos companheiro.”, para os que não leram, um tapinha amigável nas costas, um sorriso franco: “Espero que se junte a mim nessa.”. Neste livro, dentre todos os aspectos e cenas da história, temos Jay Gatsby, apaixonado por Daisy. Daisy é uma moça rica, Jay não tem nada, então ele dá suas voltas pela vida até ter o que é necessário para estar com ela, até se tornar alguém que a possa ter. E ele se torna uma figura pitoresca e curiosa, conhecido por muitos, amado por muitos, amigo de poucos e amado por poucos. Gatsby se constrói como O grande Gatsby. Foi um menino pobre, sem nada. Foi James Gatz ao nascer e O grande Jay Gatsby ao morrer. Tornou-se uma figura de personalidade incrível e dono de uma vida cheia de aventuras, acontecimentos e energia. Pois bem. Sinto-me ainda James Gatz, nunca Gatsby. Gatz; interminado, sem nada para si, sem futuro certo, sem prospectos. Sinto estar sempre à largos passos de me tornar a minha versão de Gatsby. E a cada passo dado, um novo pedaço maior de caminho se cria e então nunca chego lá. Mas não há motivo para pesar. Enquanto sou apenas uma Gatz, sigo na tentativa de me aperfeiçoar em tudo, até onde me é possível. De alguma forma louca, sigo acreditando e esperando que serei um dia Gatsby em minha vida e que deverei tudo aos dias em que estava sendo apenas Gatz e que esses dias farão com que este futuro seja tão incrível e pitoresco, quando eu atingir meu Gatsby.
Então me chame de Ana quando tudo for normal, me chame de Ana Maria se estiver bravo ou precisando da minha atenção imediata, use Maria se sentir mais confortável, Namaria se for mais conveniente juntar meus dois nomes, coloque apelidos, se lhe for agradável ou eles forem me deixar mais cativante e próxima de ti, me chame de Aninha se eu lhe for agradável o suficiente para tal doçura. Mas me chame de Gatz quando sentir que pôde me ver de verdade, naquilo que sou e deixo de ser em instantes, me tornando logo outra coisa, na minha pequenez. Quando sentir que pôde ver por entre minhas camadas confusas e máscaras variadas e ainda assim quiser me chamar, então me chame de Gatz.
