Nos caminhos obscuros de outros mundos

Caminhando, caminhando, caminhando… A sensação eterna de não conseguir parar. A cabeça nunca, o corpo sempre. O corpo prostrado e a mente?

A única solução é se esconder onde apenas você é capaz de encontrar, mundos que ao mesmo tempo existem para todos e apenas para si, fantasia coletiva. Criadas por mentes tão inquietas quanto a sua. Porém, como eles conseguem seguir e você não?

Apenas as perguntas fazem algum sentido além do turbilhão de pensamentos. As âncoras que nos ajudam a manter o barco minimamente no rumo. Subo no mastro mais alto do meu e grito para a tempestade, questiono tudo isso a algo maior, a mim mesma. Única alma capaz de me salvar. Mas essa é apenas mais uma cena de alguma outra história.

Sinto isso, uma história esperando que alguém me conte.

No mundo fora da mente continuam apenas histórias, vou seguindo posts como migalhas de pão. Apenas outro momento de outro conto… mesmo meus pensamentos são plágios. Ainda sim, sigo, olho, acompanho, vejo, ouço, rio, choro. Tudo de longe.

Às vezes quero gritar: “Olhe! Estou aqui seguindo e admirando por detrás dessa moita. Eu sei que a tela não te permite me ver, mas queria tanto que pudesse”. Mas me calo no não digitar de comentários. Imagino todos os outros, como eu, presos atrás de telas e gritando, olhando. Todos sozinhos.

Gostaria de dizer que olhassem para trás, que a prisão não tem um fundo: “As paredes que nos prendem estão apenas na nossa frente!”, mas é impossível. O silêncio do não digitar me cala novamente. Quem seria eu se dissesse algo assim e permanecesse olhando para a tela? Nem precisa me dizer, essa resposta eu sei.

Vamos! Que tal sairmos um dia? Gosto tanto de você, admiro tanto o que você faz, escreve, pensa. Será que colocar tudo isso na mesa, tomando uma cerveja seria terrível? Penso, penso, penso (algumas vezes não me emudeço), até que olho para a porta. Terrível e imponente porta. Caminho que leva ao lado de fora longe de outros mundos, trilha para a realidade. Um passinho atrás do outro, cuidado, se continuar caminhando não sabe onde seus passos vão te levar. E de novo outroinstante que um dia foi imaginado por outro alguém.

Não. A porta é a quarta parede. Não sou capaz de abrí-la.

Então volto, olho para a janela digital. Que luz confortável. Vou aos poucos ajustando os olhos, apagando as outras luzes e sendo conduzida para outras histórias que não conheço, outros alguéns. Nos caminhos obscuros de outros mundos me sinto confortável, não preciso viver a minha vida. Apenas sigo sugando a deles.