Como eu descobri o câncer de mama

Antes de tudo…

Eu estava com 27 anos e super feliz. Tinha me casado havia um 1 ano, compramos um apartamento, compramos um cachorro e eu havia mudado de emprego. Tudo ia bem e eu ligada nos 220V como sempre gostei.

A descoberta

Um dia tomando banho passei o sabonete na mama e senti um carocinho, achei estranho e marquei ginecologista para avaliação.

Na consulta, a médica fez os exames de rotina e avaliou o caroço na mama. Segundo ela, poderia ser um cisto ou gordura, uma vez que era pequeno e eu era muito nova, além disso, era pouco provável de ser algo grave já que não havia histórico na família e também por “mulher ter essas coisas mesmo, ainda mais na época próxima a menstruação”.

Deixei aquilo para lá, troquei de emprego novamente e após seis meses comecei a sentir um incomôdo no lugar do caroço. Fiz o toque na mama e percebi que o caroço estava bem maior e dolorido.

Marquei um mastologista direto, fui ao médico da minha mãe que já a tratava havia mais de 20 anos. Ele apalpou e disse que havia algo e que teríamos que ver o que era.

Marquei mamografia e ultrassom e fiz biópsia. Eu já sabia que era algo grave, durante o ultrassom o médico fazia caras e bocas, perguntou minha idade e disse que eu estava muito nova. Aquilo não parecia bom.

Feita a biópsia, eu tinha que aguardar 20 dias para o resultado sair, aquilo parecia tortura. Eu ligava para o laboratório dia sim, dia não. A atendente já reconhecia minha voz e dizia: “Não Ana, o resultado ainda não saiu. Assim que sair te ligo.” Até que um dia ela ligou, falando para eu ir buscar o resultado.

No mesmo dia, a secretária da médica que fez a biópsia além da própria médica, me ligaram dizendo que eu tinha que voltar no Mastologista o quanto antes. Eu sabia que aquilo não era bom sinal.

Como eu trabalhava em uma empresa fora de Belo Horizonte, mas na região metropolitana, expliquei a situação ao meu chefe e ele me liberou. Peguei a van do trabalho e desci perto do laboratório. A moça já me aguardava com o resultado separado.

O diagnóstico e tratamento

O tratamento do câncer hoje é medicamentoso, seja venoso ou oral, exames de sangue e muitos exames de imagem.

Fui ao ponto de ônibus, com o resultado na mochila. Queria abrir, mas não ali, sozinha. Abri a mochila várias vezes, olhei para o papel e abri. Li. O resultado informava “Carcinoma ductal invasivo” e além dos vários termos técnicos eu localizei o grau III.

Eu sabia o que significava, não chorei. Liguei para a minha mãe perguntando se ela estava em casa, disse que faria uma visita. Liguei para o meu marido e pedi a ele para ir para a casa da minha mãe, porque eu estava com o resultado e era câncer.

Minha mãe estranhou o fato de eu estar tão cedo na casa dela, contei para ela que peguei o resultado da biópsia e que era câncer. Choramos abraçadas. Em seguida meu marido chegou e choramos de novo. Decidi que tinha que parar de chorar e fazer alguma coisa.

Liguei para o consultório médico e consegui encaixe para uma consulta no dia seguinte. Às 10 da manhã do dia seguinte, entro no consultório com minha mãe e meu marido comigo, o médico se assusta. Disse a ele, “já li o resultado e sei o que significa, quais são os próximos passos?”

Ele disse que tinha uma coisa ruim ali, e que infelizmente eu teria que passar por quimioterapia + cirurgia + radioterapia, para evitar uma mastectomia total que era muito radical e poderia me mutilar muito e que não justificava devido a minha idade.

Pelo fato de ser nova, o prognóstico era bom, ele me indicou uma clínica para tratamento do câncer e falou para eu voltar depois da quimioterapia para marcar a cirurgia.

Ele solicitou que eu fizesse o perfil imunohistoquímico para saber qual o era o tipo de tumor, e que o resultado deveria demorar uns 15 dias, o mesmo tempo para aprovação da quimioterapia pelo plano.

Descobrimos que o tipo do tumor era triplo negativo, ou seja, ele não tinha receptor de hormônios e nem Her-2. E por ser a forma mais agressiva deste câncer, tínhamos que iniciar o quanto antes.

Força no tratamento

Foto no dia da primeira quimioterapia em que eu tinha certeza que venceria o câncer!

Em nenhum momento tive medo de morrer, ou pensei nisso. Afinal, eu conheci muitas histórias de pessoas que sobreviveram e estão aí para contar suas vitórias.

Não pensei também “Por que eu?”, afinal cada um tem sua cruz para carregar. A única coisa que conseguia pensar era que tenho tantos projetos, tanta coisa para viver, não vou deixar isso me derrubar.

Tive medo sim, medo da quimioterapia por não saber o que poderia acontecer comigo ou com meu corpo, mas eu estava disposta a enfrentar e vencer esta luta.

E aí? O que achou do post? Estou compartilhando minha história para me ajudar e ajudar outras pessoas que passaram pela mesma situação. Este é o só o primeiro.

Deixe seu comentário para eu saber se estou no caminho certo.

Abraços!!