Ansiedade na Medida Certa

Textão para quem realmente quer pensar sobre ansiedade

Como gosto muito de filosofia, e filosofia é a área que busca a verdade através dos questionamentos e dos “por quês”, vou começar colocando em dúvida se existe ansiedade na medida certa.

Talvez o que se aproxime melhor disso seria algo como ansiedade natural, já que a ansiedade é um estado da nossa natureza, quando enfrentamos um grande desafio.

Tive o prazer de colaborar numa matéria sobre ansiedade da 4a. edição da Revista Essência Healing e aqui vai um recorte da matéria com algumas informações sobre ansiedade, inclusive com os relatos de uma cliente que se prontificou a participar da matéria. Foram algumas clientes indicadas para esse relato e a escolha de qual faria a participação foi realizada pela jornalista responsável, Keila Bis.

(…)

A tomada de consciência

A jornalista L.M.A. diz que já foi muito ansiosa e com isso ficava desesperada para resolver suas tarefas, não conseguindo ter a serenidade necessária para realmente parar e fazer o que precisava ser feito. “Estava perdida, começava várias coisas e não terminava nenhuma. Sentia-me mal com isso o que criava um círculo vicioso do qual era difícil de me libertar. Perdia o sono, tinha taquicardia, ou falava sem parar.” relembra.

Por indicação de sua terapeuta, L.M.A. foi buscar a ajuda da terapeuta floral Ana Roxo. “Desde o início do tratamento com florais, já senti diferença. Não significa que eu não sinta mais nenhuma ansiedade. O que mudou realmente foi minha postura em relação a ela: consigo identificá-la, respirar e controlá-la. Ou seja, é um aspecto meu que conheço e administro. Não tenho mais taquicardia, nem nenhum sintoma físico, mas as vezes perco o sono”, explica a jornalista.

Porém, no caso da ansiedade patológica, o sujeito é arrastado por ela, não consegue administrá-la, fica navegando nas suas águas turbulentas. Isso sinaliza que existe algo por trás da ansiedade que precisa ser olhado, ou seja, a causa real, que muitas vezes está inconsciente. “Fazer o vestibular, por exemplo, é bastante desafiador e passível, portanto, de proporcionar um bom nível de ansiedade. Para uma pessoa que sofre de baixa autoestima, pode se apresentar ainda mais potente”, explica Ana Roxo.

Na terapia ou análise, essas questões são olhadas com atenção, o que faz com que, gradativamente, a ansiedade que era uma consequência desses fatores, vá diminuindo. “Basicamente boa parte do que constitui o conteúdo da nossa psique na vida adulta vêm dos acontecimentos na infância. Se uma criança tem pais, ou um deles, muito severos, que cobram constantemente uma postura específica dela, é possível que cresça desenvolvendo uma certeza de que por mais que faça ou se esforce, nunca estará a altura do que os pais esperam’, explica a terapeuta floral. No seu inconsciente pode ficar registrado algo como: “você não é boa o suficiente”. Ana explica que na fase adulta racionalmente ela saberá das suas capacidades, mas a execução sairá falha ou muito menor do que é capaz, gerando ansiedade. “Isso pode acontecer porque provavelmente a figura de autoridade dos pais está sendo projetada nos gestores, por gatilho insconsciente ela resgata a sensação de não estar a altura da tarefa exigida, aquela mesma lá da infância. Uma outra projeção possível é que, mesmo que o chefe elogie o seu trabalho e ela cresça profissionalmente, fará um esforço muito maior que o necessário para a tarefa, porque nunca acha o seu trabalho bom o suficiente.

(…)

No caso da jornalista L.M.A., a terapia floral utilizada como complemento ao trabalho que ela já estava fazendo com sua terapeuta a ajudou a caminhar mais rápido no seu processo de equilíbrio mental e emocional. “Quando minha terapeuta me indicou os florais, eu já fazia as sessões terapêuticas com ela havia um bom tempo. Mas ela me disse que eles poderiam me ajuda a acelerar o tratamento da ansiedade. Com os florais passei a ter compreensões mais profundas, que realmente me ajudam a me conhecer melhor”, constata.

A terapeuta floral Ana Roxo indica algumas essências florais de Bach para o tratamento da ansiedade:

Impatiens — atua sobre o clássico comportamento da pessoa ansiosa que tem a atenção voltada para o futuro. Ao fazer isso, ela perde a experiência do agora, aprende menos e portanto pode errar mais e atropela o tempo de aprendizado do outro podendo se tornar irritável e intolerante. Com Impatiens, aprende-se a permanecer e aproveitar o momento presente, aceitando e lidando com o ritmo dos acontecimentos.

Agrimony — trabalha com as emoções associadas a ansiedade que podem surgir por outras questões, como a dificuldade em lidar e entrar em contato com os próprios problemas e angústias. É um perfil de pessoa que prefere estar em festas e em grupos, com uma aparente personalidade alegre, popular e festiva. Mas, interiormente está cheia de angústia e ansiedade. Agrimony ajuda nesse contato com o mundo interior.

Mimulus — cuida do medo e da vergonha, que também desencadeiam ansiedade, pois quem sente essas emoções vive em estado de atenção constante para evitar tudo aquilo do qual tem medo. Mimulus traz coragem para lidar com os desafios e acreditar no bom andamento e desfecho dos acontecimentos.

White Chestnut — é útil para acalmar a mente acelerada repleta de pensamentos. Esse floral ajuda a recuperar a tranquilidade mental, desarticulando o revolver de pensamentos incessantes.

Five Flowers — esse composto emergencial criado pelo Dr. Bach, coloco na primeira fórmula dos ansiosos, e a partir da segunda costumo retirá-lo, já que ele é um emergencial. Só quando preciso potencializar uma fórmula volto a colocá-lo novamente. Mas não utilizo num processo terapêutico.

(…)

O desenrolar da produção de uma matéria jornalística

Nem todo mundo sabe mas, para o desenvolvimento de uma matéria jornalística, é necessário muito diálogo prévio. O jornalista lida com informações que nem sempre são de seu conhecimento por serem áreas específicas e de abordagens técnicas específicas. Então há uma troca grande de informações antes do jornalista conseguir condensar essas informações de forma coerente e torná-las possíveis de serem encaixadas no tamanho específico do espaço reservado para aquele assunto seja numa revista, jornal, site, etc.

Como a troca de informações para essa participação na matéria foi grande, segue abaixo todo o conteúdo trocado, a fim de contribuir com mais informações para quem tem interesse no assunto.

O texto que segue foi elaborado num livre pensamento, sem entrar em pesquisas, estatísticas ou citações teóricas de áreas específicas. Esse conteúdo é embasado no estudo e aprendizados que já se dão em vários anos de experiência através de cursos e formações em algumas áreas do conhecimento, e da prática em atendimento clínico.

O texto que segue é bastante longo. Portanto se você não tem interesse em compreender um pouco mais sobre ansiedade, pode ficar satisfeito com o que leu até aqui. Porque daqui pra frente, só os fortes. ;)

Possíveis causas da ansiedade

Em primeiro lugar, a principal causa da ansiedade em nós, não só nas pessoas que atendo, se dá pela necessidade de nos adaptarmos. Existem muitos eventos que nos causam apreensão ou estresse. Na verdade essas emoções dependem mais de como nós reagimos ao evento do que o evento em si, num primeiro momento. Aqui me refiro a eventos estressantes mas não necessariamente traumáticos ou violentos. Percebemos uma situação desafiadora e precisamos nos adaptar a ela. Até um determinado ponto a ansiedade que sentimos para estabelecer essa adaptação é positiva. Ela melhora a performance, o nível de atenção e portanto o desempenho de maneira geral.

A partir deste ponto, se o esforço e o estresse para estabelecer esta adaptação continua em alta potência, gerando uma ansiedade ainda maior, a adaptação não é mais possível justamente pelo excesso de ansiedade. Neste momento muitas coisas acontecem no nosso campo emocional que passa a interagir diretamente com o nosso corpo físico desencadeando um complexo rearranjo hormonal para que possamos dar conta de possíveis situações que o nosso estado de alerta sugere.

Nem todas as causas da ansiedade são fáceis de identificar. Se a questão for uma prova, um vestibular, uma entrega importante de trabalho ou ainda um grande desafio pontual, fica menos difícil chegar na causa. Mesmo assim, questões desafiadoras por si só podem ainda representar uma outra questão de significado particular. Por exemplo um vestibular, que em si já é bastante desafiador e portanto passível de proporcionar um bom nível de ansiedade, para uma pessoa que já sofre de uma baixa autoestima ou dúvidas sobre as suas competências para ter êxito nisso, a ansiedade pode se apresentar ainda mais potente e com uma causa contundente em segundo plano. Não evidente num primeiro momento, tanto para quem sofre a ansiedade como para quem tenta auxiliar essa pessoa. Isso provavelmente só vai ser possível de identificar, após um contato mais profundo com a questão. Um exemplo de segundo plano poderia ser uma pessoa que apresenta insegurança, não confiança nos seus talentos e qualidades com alguns eventos anteriores não positivos reforçando essa situação, como tentativas de testes ou vestibulares onde não obteve êxito. Esses eventos podem “minar” uma performance mais segura.

Competitividade

O mundo contemporâneo proporciona uma infinidade de situações onde a ansiedade vai se apresentar para todos nós em algum nível. E portanto para os meus clientes não é diferente. Pressões no trabalho são as causas mais visíveis das pessoas que atendo. O mundo corporativo, numa grande parte, ao estimular uma competição exagerada entre os seus colaboradores, tira o melhor mas também o pior dos indivíduos.

Um cenário de atitudes e comportamentos positivos vindos da competitividade, seria o estímulo das pessoas a buscarem uma performance melhor. Se algum colega consegue melhor desempenho, é possível também desenvolver em si as suas potências, que muitas vezes não estão bem exploradas ou reconhecidas pelo próprio indivíduo. Ou seja, se o outro consegue, também podemos estudar mais as questões e atividades, nos conhecermos melhor para aprendermos ou reconhecermos como podemos desenvolver as nossas qualidades, e não simplesmente para ser melhor do que o outro. Estamos aqui para sermos nós mesmos e desenvolvermos o nosso potencial com as nossas características únicas. Não dá pra ser o outro. E é aqui que as empresas deveriam incentivar a individualidade e não massificá-la mas, isso é outra história.

Um exemplo de comportamento negativo extraído da competitividade é o excesso de pressão. Se ela é extrema e a empresa ou gestores não colaboram no sentido de direcionar e apoiar os seus profissionais, muitas pessoas podem apresentar uma propensão a diminuir o colega, dificultar o trabalho dele, não passar as informações ou continuidade de atividades e, dessa forma, atrapalhar o desempenho de colegas e equipes. Justamente por não verem outra alternativa de sobreviver dentro dessa pressão, das exigências e de uma gestão falha.

Quando há gestão de fato, líderes, eles estimularam que cada profissional desenvolva o seu melhor, dentro das suas especificidades e inteligências individuais. Do contrário vira campo de batalha, onde é cada um por si tentando sobreviver e alcançar os resultados a quase qualquer preço. Isso significa que muitos ambientes de trabalho se tornam hostis, quando não tóxicos, com gestores nem sempre preparados ou qualificados para suas funções.

Outra questão importante, são as reduções no quadro de funcionários, obrigando os seus colaboradores a uma jornada de trabalho bem além do que é recomendável e com tarefas a serem entregues num volume insustentável.

Algumas empresas chamam esses profissionais ou equipes de “alta performance” mas na realidade, e nesses casos, o que está sendo exigindo dessas pessoas é um rendimento sobre-humano. As pessoas não tem mais tempo para si, para estar com seus filhos, família ou amigos, muitos inclusive trabalham nos fins de semana. Dentro dessa realidade, não há como manter um equilíbrio e geralmente o primeiro desequilíbrio que se apresenta é a ansiedade. Nem todas as empresas são assim, é claro, mas me parece que um número expressivo é.

O ideal aqui seria também destacar que as relações no ambiente de trabalho apresentam questões psicológicas bastante importantes a respeito do conteúdo que depositamos ou projetamos nas nossas relações com chefes, pares ou subordinados. Isso, além dos desafios do mundo corporativo. Essas relações também são representativas de papéis e conteúdos individuais, projetados nos colegas de trabalho, que muitas vezes dificultam ou inviabilizam as relações. Essa é outra forte fonte de ansiedade e estresse mas são de natureza psicológica profunda e complexa. Precisaríamos de um capítulo a parte para abordar este tema que é muito interessante, porque fala da nossa natureza psicológica inconsciente e ainda pouco explorada ou sequer reconhecida por um bom número de pessoas. Na verdade, parte desse ambiente hostil tem muito a ver com a projeção de conteúdos inconscientes no meio profissional.

Projeção da criança interior no ambiente de trabalho

Muito basicamente, arranhando a superfície na verdade, boa parte do que constitui o conteúdo da nossa psique na vida adulta vem da formação do que aconteceu lá na infância, daquilo que captamos e percebemos do que foi vivido. Então, pra facilitar e não entrar tão profundamente na teoria, que é volumosa pra uma matéria jornalística, vou abordar por exemplos. Se uma criança tem os pais, ou um deles, muito autoritário, severo, que cobra constantemente uma postura específica dessa criança, ou ainda, de forma menos evidente e direta, humilha e desvaloriza o que esta criança produz ou apresenta como atitude e comportamento, é possível que essa criança cresça desenvolvendo uma certeza de que, por mais que faça e se esforce, ela nunca estará a altura do que os pais esperam. Essa certeza e boa parte das emoções e impressões que foram captadas dessa situação, podem ser recolhidas para o insconsciente, deixando apenas a impressão de um desconforto ou uma certeza vaga de que ela não estará a altura do que lhe for exigido por um gestor, na vida adulta. Quando adulta ela sabe racionalmente das suas competências e capacidades mas, a execução sai falha, muito menor do que a sua capacidade. Com esse resultado, ela não consegue entender porque não tem uma postura adequada ao seu conhecimento e talento ao apresentar um trabalho. Ou para pedir um aumento, concorrer a uma vaga melhor ou ainda, para fazer um enfrentamento adequado junto aos seus gestores. Isso pode acontecer porque provavelmente a figura de autoridade dos pais está sendo projetada nos gestores e, por gatilho inconsciente, ela resgata a sensação de não estar a altura da tarefa exigida, aquela mesma lá da infância. Uma outra projeção possível é que mesmo realizando as suas tarefas profissionais, recebendo elogios ao seu trabalho e crescendo profissionalmente, fará um esforço muito maior do que o necessário para a tarefa, porque não consegue considerar o seu trabalho suficientemente bom. Ou ainda, poderá ter a sensação de que profissionalmente não está a altura, apenas é privilegiado por ter sorte, e assim pode sentir-se constantemente uma farsa.

Num outro exemplo, uma criança que tem um irmão que chamou muito a atenção dos pais e portanto boa parte do tempo que os pais tinham foi dedicado a esse irmão, pode sentir-se não aceita, não fazendo parte, impotente, magoada e excluída do grupo familiar. Na vida adulta, poderá apresentar um comportamento rebelde justamente para reforçar a sensação de não pertencer, de não ser aceito, e mostrar raiva que vem provavelmente daquela mágoa, da sensação de não ter feito parte. As suas relações profissionais podem estar recheadas de rancor com algumas explosões de raiva, desestabilizando o meio e sempre percebendo uma certa não aceitação da sua presença e por consequência, apresentar um certo desprezo pelos colegas. E na verdade, podem ser projeções de conteúdos inconscientes construindo uma realidade paralela para si.

Seriam muitos exemplos pra citar mas a idéia aqui é entendermos que as nossas relações, profissionais, e todas as outras, e a forma como desenvolvemos as nossas atividades, trazem muito da nossa criança interior ferida e desamparada. E muitas vezes é essa criança interior que vai trabalhar e se relacionar com o mundo, quando na verdade o adulto deveria estar manifestado e a criança interior atendida e acolhida, em uma instância apropriada dentro de nós. Enquanto estivermos à mercê de conteúdos do nosso inconsciente, sem nenhum resquício de contato e entendimento com ele, poderemos distorcer a nossa realidade e nunca nos aproximarmos ou nos apropriamos de potenciais riquíssimos que temos. Poderão ficar de fora talentos e capacidades ainda desconhecidos e a condição para realizarmos tudo o que queremos e podemos ser. Os exemplos citados aqui são bem superficiais porque a realidade da psique e nossos comportamentos são muito mais complexos do que isso. E esses entendimentos vem da psicologia analítica junguiana, Carl G. Jung.

Dentro do pensamento do entendimento junguiano, temos que fazer um paralelo com as adaptações que fizemos lá na infância, para nos adequarmos ao que entendemos do que o meio esperava de nós. Na tenra infância não entendemos a realidade através dos raciocínios complexos, desenvolvidos só mais tarde, apenas estamos sujeitos a percepção do meio e como somos impregnados pela informação da realidade à qual estivemos expostos.

Muitas famílias estão expostas aos desafios momentâneos ou estruturais que causam desentendimentos familiares, comportamentos e reações emocionais nem sempre em equilíbrio. Por exemplo, quando surgem desafios financeiros, separações, mudanças de escola ou domicilio, etc, a criança não entende o que acontece, mas está recebendo mensagens do meio familiar / escolar e, a sua maneira, vai digerir e incorporar essa informação. Em muitos casos essa não será exatamente um experiência positiva, acolhedora e dotada de segurança. Muito pelo contrário. Mas é claro que tudo depende de como os pais, cuidadores e professores conseguem lidar com os problemas e o quanto conseguem proteger as crianças nesses momentos.

A vida é dinâmica e cheia de desafios mas, os adultos devem passar para a criança conforto emocional, segurança, acolhimento e aceitação do que ela é. Quando isso não acontece, é possível o desenvolvimento de um quadro ansioso justamente pela dificuldade em se adaptar a essa dinâmica familiar / escolar. Lembrando que as crianças não nascem prontas, ainda estão em formação por alguns anos após o nascimento. E todas as experiências do meio colaborarão para esta formação e certamente, essas situações refletirão no adulto que vier ser.

Isso não quer dizer que as mudanças, sustos, perdas e todas as situações desafiantes da vida, vão contribuir negativamente na criança. A vida é dinâmica em todas as direções, positivas e negativas. Mas tudo vai depender de como o adulto vai se relacionar com as mudanças, como ele vai passar isso para a criança e como cada criança receberá essa informação a partir da sua natureza.

Possíveis conexões entre mente acelerada e ansiedade

Quando falamos em mente acelerada, faço uma conexão com o Transtorno de Ansiedade, diferente da ansiedade que podemos sentir sob pressão ou estresse. A mente acelerada é um termo ou uma condição relativamente nova e na maioria dos entendimentos está relacionada ao Transtorno de Ansiedade.

Só para tentar deixar mais claro, o Transtorno de Ansiedade é composto por vários quadros as vezes distintos entre si que são: Ansiedade, Fobia, Síndrome do Pânico, Estresse, Estresse Pós Traumático, Transtorno Obsessivo Compulsivo — TOC (este também traz relação com transtorno do controle), Esgotamento, etc, e mais recentemente Síndrome da Mente Acelerada. Está síndrome, que eu saiba, ainda não consta Classificação Internacional de Doenças — CID 10 ou outros manuais científicos e portanto, muitos profissionais entendem este quadro apenas como características de alguns tipos do Transtorno de Ansiedade. No momento, me incluo neles, mas se amanhã pesquisas ou outras observações importantes acontecerem, posso pensar diferente.

Não tenho uma idéia fechada sobre o que acontece primeiro, a ansiedade e portanto a possibilidade de uma mente acelerada ou o contrário. O mais comum que vejo, parece ser o contrário mas, não posso falar que tenho certeza disso. Até porque, no meu entendimento, cada um de nós tem “pontos fracos”. Áreas onde é mais fácil um desequilíbrio começar ser percebido. Ex: sempre que Maria fica gripada, a gripe “começa” na garganta. Então um ponto sensível da Maria seria a garganta. Se for assim, quem já tem uma natureza mais mental, talvez um desequilíbrio de ansiedade possa começar por uma mente mais acelerada. Mas tudo isso são conjecturas.

Acredito que muitos terapeutas de várias técnicas e abordagens pensem que é provável que hajam situações na infância e na sua formação que ajudaram um quadro ansioso a se desenvolver, mesmo que as vezes ele se apresente mais claramente somente na adolescência ou vida adulta. Mas, de novo, não há uma resposta exata para isso. Já conhecemos muito da natureza humana mas ela é ainda cheia de mistérios. Algumas áreas podem afirmar isso ou aquilo baseada em teorias ou diagnósticos já desenhados anteriormente. Mas no meu entendimento, nós enquanto natureza somos muito mais complexos do que já conseguimos avançar em entendimento, para podermos afirmar categoricamente que um desequilíbrio como a ansiedade ou um Transtorno Ansioso começa assim, se desenvolve de uma determinada forma e o tratamento é este. Como se não importasse a individualidade de quem está sendo tratado. Porque se fosse isso de fato, muitos ou a maioria já teriam se livrado da ansiedade patológica. Pelo menos é assim que penso no momento.

De qualquer forma, pelo que percebo num primeiro momento, além da ansiedade em si, está o estímulo das muitas informações e a velocidade que temos no contemporâneo. Estamos conectados a vários aparelhos que nos possibilitam uma velocidade surpreendente para receber e passar informação. Não precisamos mais estarmos fisicamente presentes em vários cenários para estabelecermos relações e trocas, e a velocidade com que isso é feito traz suas consequências.

Se não precisamos mais estarmos fisicamente num local para exercermos uma atividade profissional, o nosso trabalho e outras atividades estão 24h ao alcance da mão. Os softwares e aplicativos são atualizados rapidamente e outras formas de conectividade estão sempre surgindo. E aqui não estou fazendo críticas a tecnologia, porque não há mais como ficarmos sem ela e os seus benefícios são inegáveis. O problema não está na tecnologia mas sim, em como lidamos com ela.

Além disso, existem as multitarefas para darmos conta de todas as atividades do meio profissional e pessoal. Para sermos bem sucedidos nas nossas metas, de maneira geral é claro, precisamos dar conta do nosso trabalho, que muito provavelmente não está no desenvolvimento de uma tarefa apenas, bem como de estarmos atualizados nos grupos e nas principais redes sociais, etc. Portanto, se não colocarmos limites nas nossas atividades e estabelecermos um certo autocontrole, facilmente estaremos a mercê de um estado frenético de estímulos.

O que percebo também, é muita autocobrança em sermos muito eficientes para atendermos a toda essa demanda, para atendermos as expectativas que supomos que o meio tem sobre nós e sobre a nossa performance. Quanto mais tentamos dar conta dessas multitarefas, mais a mente está estimulada para atender essas situações e mais distantes do nosso centro de equilíbrio estamos. Na maioria das situações, não há mais tempo e pausa para voltarmos ao centro ou sequer analisarmos com calma algumas situações que poderiam ter uma condução diferente. Ou ainda, e não mesmos importante, colocarmos limites para nós e para as expectativas que o meio deposita em nós.

Mas, além do contexto do contemporâneo, temos também situações individuais. Algumas pessoas durante as primeiras fases do seu desenvolvimento, não foram atendidas da maneira necessária ou minimamente satisfatória. Outros também nas mesmas fases, tiveram que realizar uma adaptação muito severa para conseguir superar as oscilações e ausências de um grupo familiar não bem estruturado ou disfuncional.

Nesses núcleos familiares disfuncionais as crianças podem estar submetidas à violências, pais severos e exigentes que esperam que a criança seja um “mini adulto” com respostas e posturas adultas, o que é impossível. No caso de pais doentes alcoólicos ou dependentes químicos de maneira geral, a criança não sabe qual será a reação do pai/mãe que vão encontrar em casa, porque num momento está bem e quando sob efeito de drogas pode chegar a violência. Mães e pais muito jovens ou que ainda não tenham maturidade e responsabilidades suficientes para ampararem, acolherem e ajudarem a formação de um indivíduo. Crianças abandonadas, adotadas após várias tentativas ou aquelas que ainda estão em adoção após essas tentativas. Crianças que vivem violência moral ou física, etc, situações essas abrem um espaço para o desenvolvimento de um quadro ansioso, além de outros possíveis.

Algumas característica da ansiedade e mente acelerada

O quadro ansioso tem várias características e cada pessoa vai manifestar do seu jeito. A maioria dos ansiosos que atendo apresenta principalmente um campo mental excessivamente ativo, dificuldade de dar continência ao excesso de sobrecarga mental, insônia, dificuldade de concentração, dificuldade de memória, estresse, inquietação física e cansaço pelo excesso de atividade do campo mental, que para alguns não diminui sua função, se é que isso é possível, nem quando dormem.

Na mente acelerada se observa que as pessoas “atropelam” ou “engolem” palavras, nem sempre conseguem um discurso claro ou preciso, são multitarefas mas não necessariamente eficientes nestas situações. Déficit de atenção, déficit de memória, pressa, dificuldade para terminar tarefas, ruminação de pensamentos, erram constantemente, não deixam as pessoas falarem ou terminarem frases, sensação de apreensão, etc.

Terapia floral e ansiedade

Os florais trabalham pelo equilíbrio de um sistema. Apesar de serem organizados por temas como medo, controle, angústia, tristeza, etc, nós não somos segmentados nem nas emoções e nem nos comportamentos. Todo o nosso sistema físico, emocional e mental, trabalha em conjunto, numa relação de interdependência ou de relacionamento contínuo entre as suas partes.

Portanto, quando uma pessoa está tomando um floral mesmo que específico para um tema, é muito provável que o sistema ou uma parte dele, se beneficie e passe a se organizar mais harmoniosamente. Vamos pegar o exemplo de uma pessoa ansiosa que toma somente uma essência que trabalha algumas emoções associadas a ansiedade. É muito provável que ela perceba uma melhora considerável em algumas emoções e sensações. Ela pode ter uma melhor concentração, diminuição do stress, perceber um certo alívio e um sono bem mais reparador. Se isso tudo acontecer, o seu desempenho na vida de maneira geral vai melhorar, e isso vai se refletir não só na sua vida social mas também no seu desempenho profissional. E o corpo físico apresentará a consequência disso, possivelmente um maior relaxamento geral e melhor disposição. Assim, podemos perceber a amplitude que uma única essência pode provocar no sistema de um indivíduo.

Agora pense numa pessoa que passa a tomar vários florais num processo contínuo e ritmado, que é a terapia floral. O benefício na maioria das vezes é enorme! Porque boa parte do sistema será estimulado à harmonia e com o tempo adequado é possível uma mudança de comportamento e não somente um alívio temporário. A mudança para um comportamento mais equilibrado, percepção da capacidade para lidar com os acontecimentos com estabilidade emocional e mental (empoderamento) e portanto mais segurança e desenvoltura. Por consequência melhora a percepção de outras capacidades que até então não percebia. Sensação de bem-estar geral, é a mais comum consequência que rapidamente é percebida da terapia floral.

Florais e ansiedade

Existem florais mais adequados as emoções associadas à ansiedade mas, mesmo assim depende da pessoa. Porque os florais não lidam com doenças ou diagnósticos. Não existem florais para a ansiedade como patologia ou para os transtornos de qualquer ordem. Os terapeutas florais tratam os indivíduos e não as doenças. E como cada indivíduo percebe a si, o que sente e como vivencia isso.

Impatiens

Dito isso, vamos a alguns exemplos. Uma pessoa que apresenta as características clássicas de uma ansiedade pode se beneficiar muito com o Impatiens que trabalha o ritmo adequado, o fluir com os ritmos da vida e dos outros. O comportamento ansioso de maneira geral tende a ir mais rápido do que a vivência da própria experiência, com a sua atenção voltada para o que virá depois do momento presente. Ao fazer isso, a pessoa perde a experiência do agora com todo o aprendizado e a vivência que o presente traz. Assim, enfraquece o seu campo de experiência, aprende menos, pode errar mais por consequência, se estiver em grupo, perde a troca com os outros a sua volta, atropela o tempo de aprendizado do outro, podendo se tornar irritável e intolerante. Com Impatiens a pessoa pode aprender a permanecer no presente, aprofundando a troca e a experiência, aceita e lida com o ritmo dos acontecimentos.

Agrimony

Mas as emoções associadas a ansiedade podem surgir por outras questões, como dificuldade em lidar com os seus próprios problemas e angústias, num perfil que prefere estar no centro dos acontecimentos, festas, reuniões sociais, de grupos, etc, para fugir do contato consigo mesmo. Esse movimento de não poder entrar em contato com as suas próprias questões pode gerar um tormento, angústia e ansiedade, tudo isso por traz de uma aparente personalidade alegre, festiva e popular. Para estes casos, podemos pensar em Agrimony que ajuda a entrar em contato com as nossas emoções, nos fortalece para lidarmos com as nossas dores emocionais e assim conseguirmos chegar numa melhor harmonia interior.

Mimulus

O medo e a vergonha também podem desencadear as emoções associadas a ansiedade. Principalmente para pessoas mais sensíveis que ficam agitadas em várias situações que, aos olhos dos outros, seriam considerados comuns. As pessoas mais sensíveis quando tem medo ou vergonha de falar em publico, ou sequer de ser apresentado num grupo por receio do que vão falar ou pensar sobre elas, podem sofrer mais porque qualquer comentário pode ferir seus sentimentos ou passar a duvidar das suas capacidades. O impacto da resposta do outro parece ser mais intenso em pessoas mais sensíveis, parecem mais expostas a internalizar a crítica, talvez por duvidarem das suas capacidades ou talentos. Esse seria mais próximo ao medo Mimulus.

Quem vivencia muito medo ou vergonha passa a estabelecer um estado de atenção constante para evitar aquilo do qual tem medo ou evitar a exposição, que é um verdadeiro pesadelo para os tímidos. Ao entrar neste estado de alerta e evitação permanente, pode desenvolver várias emoções inclusive a ansiedade. Nesses casos, Mimulus pode ser uma grande ajuda por trazer força para lidarmos com as situações, coragem para enfrentar os desafios e acreditar no bom andamento e desfecho dos acontecimentos. Mimulus ajuda a entrarmos em contato com o nosso propósito maior, colaborando a viver de forma mais livre e encorajada para experimentar os acontecimentos.

Aspen

Mas também existe o medo Aspen, que pode gerar ansiedade. É o medo do que não é conhecido, as impressões de que algo ruim está acontecendo. Essas impressões são captadas, percebidas e não passam pelo racional. Essa é uma sensibilidade de quem se sente exposta as percepções e vibrações do meio e não a crítica ou a avaliação do outro.

Red Chestnut

Outra situação geradora de ansiedade é a preocupação constante, principalmente quando dirigida ao bem-estar daqueles que amamos. Não temos como interferir no processo do outro. O outro é livre, ou deveria ser, para conduzir sua vida como bem entender e se lançar no mundo com todos os seus riscos. Quem sofre com esta preocupação vive momentos de verdadeira tortura onde um processo ansioso constante pode se estabelecer. Muitas mães sofrem com essas preocupações mas, não só elas. E a forma como a nossa sociedade está vivendo não contribui muito para aliviar as reocupações de maneira geral. Para esses casos, Red Chestnut tende a ser o melhor floral, pois trabalha justamente a preocupação com e bem-estar do outro de maneira excessiva. Em alguns casos o medo é tão grande que acaba fantasiando problemas, podendo viver períodos de verdadeira obsessão pelo medo desmedido. Um estado ansioso é um dos primeiros a se estabelecer nesses casos. Red Chestnut ajuda a pessoa a manter-se confiante no desenvolvimento dos acontecimentos, com mais equilíbrio, pensando de forma mais calma e dando um suporte tranquilo ao outro, empoderando e não enfraquecendo o outro diante de tantas preocupações.

White Chestnut

E quando as emoções associadas a ansiedade trazem uma profusão de pensamentos, ou pensamentos ruminantes, uma mente acelerada, com pouca capacidade de entrar num ritmo adequado, pensamos em White Chestnut. Este floral ajuda a recuperar a tranquilidade mental desarticulando o revolver de pensamentos incessantes. Proporciona mais quietude, calma e clareza trazendo repouso e paz à mente. Assim é capaz de dar orientação construtiva ao seu campo mental não ficando mais a disposição de pensamentos “gatilhos” para a ruminação de ideias e reviver de situações, diálogos, músicas, etc.

Cherry PLum

Um floral muito importante mas que não lida diretamente com a ansiedade ou mente acelerada é Cherry Plum. No estado negativo pode chegar ao colapso mental. No positivo ele trabalha o autocontrole, equilíbrio, confiança, e proporciona continência às situações mentais e emocionais internas que parecem não ter controle. Ele traz confiança e uma espécie de rede de proteção para novamente conseguirmos lidar com os acontecimentos. Sempre que se apresenta um quadro onde a ansiedade está dominando boa parte do estado mental de uma pessoa, Cherry Plum deve estar na fórmula.

Dá pra perceber que tudo depende do indivíduo, sua história, seu estado e comportamento para escolhermos o florais adequado a cada pessoa e situação. As fórmulas precisam ser tão personalizadas tanto quanto somos individualizados.