Hit the road Jazz !

Um festival. A 13,14 e 15 de Julho, a cidade do Funchal irá celebrar “a quase” emancipação do Jazz. A 17º edição do Funchal Jazz Festival reúne um dos cartazes mais fortes de sempre.

cartaz 2017, por Pedro Sousa

Realizado desde 2000 pela Câmara Municipal do Funchal e há três anos dirigido pela empresa Choose Fantasy, os três dias dedicados ao Jazz acontecem no Parque de Santa Catarina, no centro do Funchal. O cartaz está completo e confirmados estão João Barradas, Saxophone Summit, Rudy Royston, Kurt Rosenwinkel, Bill Frisell e a lenda Charles Lloyd.

Paulo Barbosa — Responsável pela Direcção Artística

Em 2014, o diretor artístico Paulo Barbosa, afirmou à TVI24 «o objectivo é trazer o que há de melhor no jazz actual».

Três anos depois, o objetivo mantém-se

André Santos, autor do álbum Vitamina D, admite “O Paulo Barbosa tem feito um excelente trabalho na programação, reunido grandes nomes nacionais e internacionais da actualidade do Jazz e este ano não é excepção, cartaz de eleição!”


Para o guitarrista João Rodrigues “Os três guitarristas que compõem o cartaz desta edição, são verdadeiras inspirações. Rosenwinkel, provavelmente é o guitarrista de jazz mais influente do séc XXI. Frisell é uma grande referência nas últimas gerações de guitarristas, inclusive para o próprio Rosenwinkel — assumido pelo próprio — tem uma voz muito particular e inconfundível. Quanto ao André Fernandes, é português mas para mim tem qualidade igualável.”

Jonas Anjo e João Rodrigues, Jam Session
Diana Krall atuou em 2004 no Funchal Jazz Festival

Evocando a passagem do milénio, foi em 2000 que pela Câmara Municipal do Funchal nasceu esta iniciativa. Durante uma década aconteceu na Quinta Magnólia e acolheu nomes como Diana Krall ou o falecido Ray Brown.

Para André Santos, com formação pela Hot Club Portugal, é um festival que não dispensa desde os 12 anos. Sempre deteve preferência por este estilo musical e admite ter assistido a músicos lendários ao longo dos tempos. Quanto aos últimos três anos, com novo programador, “tive a oportunidade de ver vários músicos que se destacam e que reinventam o Jazz e são a marca do Jazz actual: Jason Moran; Ambrose Akimusirie; Fred Hersch, etc.”

André Santos, no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço
“ É importantíssimo assistir a pelo menos 6 concertos de Jazz do mais altíssimo nível anualmente no Funchal.” André Santos
Jani Anjo na ultima edição

Presença em todas as edições, a madeirense Jani Anjo, gostava do estilo aprendiz das primeiras edições “era um ambiente mais descontraído. Havia cadeiras, mas as pessoas optavam pela relva. Quanto aos artistas, actualmente confesso que a qualidade é muito superior. Há outro público, verdadeiros amantes de Jazz, o que fez subir a fasquia.”

Sobre a dimensão do espectáculo, André perfaz: “A palavra passa rápido no meio do Jazz e tocar num festival localizado num sítio como a Madeira, com a recepção e tratamento de luxo que é dado aos músicos, é fácil toda a gente querer tocar no festival.”

O próprio já atuou no palco secundário como banda base das Jam Session, classificando a experiência como excelente.“ A grande maioria dos músicos do palco principal juntou-se a nós para partilhar música na Jam e alguns deles ficaram a partilhar histórias connosco depois disso”, acrescentando, “isso é das coisas importantes que um músico pode ter, partilhar música e histórias com músicos incríveis.”


João Barradas é o “cabeça de cartaz” português. Acordeonista, já premiado pelo Troféu Mundial de Acordeão, formou-se no Curso Oficial de Acordeão do Conservatório Nacional, concluindo com 20 valores. Durante todo o seu percurso, tem vagueado entre o Jazz, Musica Clássica e improviso.

João Barradas por Nelson Martins

Saxophone Summit, são os segundos a subir ao palco. Formado por três saxofonistas com projetos independentes (Dave Liebman, Joe Lovano e Greg Osby) juntaram-se ao pianista Phil Markowitz (65 anos), ao contrabaixista Cecil McBee (82anos) e ao baterista Billy Hart (77anos). A organização do Funchal Jazz confessou ao Diário de Noticias da Madeira “a secção rítmica é um verdadeiro portento cuja acção acusa mais a experiência do que a idade dos seus constituintes”. De salientar que Joe Lovano é considerado o saxofonista mais galardoado da atualidade, sendo conotado como “uma espécie de ‘Papa’ do jazz”.

Saxophone Summit — The Chicago Jazz Festival 2011

Da América, é confirmado o baterista Rudy Royston para o segundo dia. Nascido no Texas, foi referido no New York Times, pelo critico de música Nate Chinen, como “um talento de primeira linha”.

Capa do album 303, Rudy Royston

No mesmo dia sobe “ao pódio” o seu conterrâneo, o guitarrista Kurt Rosenwinkel CAIPI Band.

Segundo a organização ao DN: “Numa reviravolta recentemente vivida na sua carreira, decidiu por fim a 15 anos dedicados ao ensino do jazz em Berlim. Rosenwinkel realizou o sonho de juntar a inspiração dos sons do Brasil a um jazz que se apelida de metafísico, polvilhado, aqui e ali, com alguma efervescência do rock, tendo como resultado uma música que nos soa peculiar e deliciosamente futurista.”

Kurt Rosenwinkel

O último dia acolhe o premiado Bill Frisell e os seus dois companheiros, o baixista Tony Scherr e Kenny Wollesen. Frisell em 2004, 2009 e 2016 recebeu a nomeação para o Grammy, tendo em 2005 vencido na categoria de Melhor Álbum de Jazz Contemporâneo.

O encerramento será feito pelo saxofonista de 79 anos, Charles Lloyd que segundo a direcção “parece estar a tocar melhor do que nunca, de uma forma cada vez mais intensa, inevitavelmente lírica e escandalosamente bela”.

Charles Lloyd
“Charles Lloyd é um tesouro internacional”, Carlos Santana