Compartilhar dor é mais que dividi-la. É deixá-la exposta. E só o que está exposto pode ser curado.
Gael Rodrigues
19413

Um dia, há uns 7 ou 8 anos, perguntei pra minha psicóloga por que eu não conseguia seguir com o sofrimento e fazer as coisas como as pessoas normais faziam. Ela primeiro perguntou o que seriam “pessoas normais”, que pra mim eram as que não tinham depressão ou outra doença paralisante do tipo. Depois, riu e disse: “mas Ana, você mata um leão por dia só pra levantar da cama, e ainda conseguiu se formar, mantém um emprego… Pra quê se cobrar tanto?”. Foi aí que percebi que não era pra esconder meus problemas e parecer medíocre, era pra deixar tudo bem aparente e mostrar que mesmo debilitada, paralisada, eu conseguia fazer tudo, no meu tempo, do meu jeito, mas bem. Era uma lição de força e esperança pra quem parecia normal, mas também estava lutando internamente.

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