“O amor é pr’os que aguentam a sobre carga psíquica"
Sempre achei que todo mundo tem um amor da vida. Você abraça o mundo, mas só existe um lugar seguro e confortável o suficiente que te fazer querer permanecer. Algo único e eletrizante e ao mesmo tempo suave e amoroso. Amar alguém é descobrir que suas expectativas serão dilaceradas no meio do caminho. A perfeição é uma armadilha, você pisca e BUM, está em um buraco. Admitir que ama alguém além do seu ego é doloroso. A briga por opinião. O ciúme do passado. A TPM forte. O futebol do meio da semana. As palavras duras ditas com raiva. A vontade de desistir. A carga emocional que é dividir, ser e estar. A vida. A bagunça. As escovas de dente. O tempo. A música preferida. Compartilhar segredos. O prazer. Gosto assim/odeio assim. Os planos.
Amar é alguém também é ceder. O pedido de desculpas. O esforço pra se adaptar. Evitar armadilhas. Os tropeços querendo acertar. Ninguém faz por mal…
Andar em linha reta requer equilíbrio, pois o amor é um grande e complicado quebra cabeça de um milhão de peças, não adianta você ser ansioso e querer termina-lo em um dia, é um trabalho que levará meses, anos. A construção arquitetônica de um relacionamento é mesmo monumental e não é para qualquer um. Árduo, porem macio como a sua colcha de cama preferida, aquela quentinha, que tem o seu formato e cheirinho único. Preste atenção: é preciso estar distraído e ao mesmo tempo reconhece-lo quando chegar.
Quando se conecta aos olhos do outro, o brilho, o sorriso puro e ardência quando as peles se tocam. Pode ser que tudo dê certo. Pode ser que se percam no caminho. Pode ser que dure pra sempre, ultrasse as linhas terrenas, viva em outros planos, feito a alma, eterna. Pode ser que não seja nessa encarnação. Mas o amor da vida literalmente vive, se emancipa e reina. O amor é pr’os que aguentam a sobre carga psíquica.
