Suspiro fundo, tática pra não gritar e acordar a vizinhança inteira.
Meu corpo doi, meu peito aperta, penso que posso morrer a qualquer momento. Volto a respirar. Meu impulso é de ir até o seu prédio e fazer você ver que eu ainda sou a pessoa que você se apaixonou. Tô em meio a uma crise de ansiedade, nada faz sentido. Basta um segundo de distração e me vejo perdida na angustia de ter estragado tudo. Meu tórax inteiro se contrai, encolhida na cama, choro copiosamente porque doi demais você não estar aqui. A sensação é que o sólido a baixo de mim se desfaz, sinto frio na barriga, estou caindo. Questiono: Por que a gente faz isso? Por que a gente não pode ficar em paz com quem a gente ama? Por que diabos quando você finalmente parece ter encontrado a sua pessoa, a vida desmorona? Queria desaparecer. Queria te mandar um email. Queria mudar de país. Queria sonífero. Começo a sufocar na minha própria dor de nunca mais olhar você descendo as escadas para me receber. Por aqui, tudo lembra você. O papo sobre diarista, o flamengo, rap, casais felizes na rua, café, sábados a noite, barulho de mensagem do wpp, a minha lingerie e até seu irmão, que nem mora na cidade, mas que eu encontrei hoje na rua. Está tudo bagunçado, estou em cacos. Agarro meu travesseiro e peço ao universo para que não me deixe morrer de amor. Não me deixe morrer de coração partido. Não quero ser a Julieta do século XXI.
