“Sidarta” Hermann Hesse
Primeira Parte “O Filho do Brâmane”
“À sombra da casa,
ao sol da ribeira,
perto dos barcos,
na penumbra do salgueiral,
ao pé da figueira,
criou-se Sidarta,
belo filho de brâmane,
jovem falcão,
junto com Govinda,
seu amigo,
filho de brâmane.O sol tostava-lhes
as claras espáduas,
à beira do rio,
durante o banho,
por ocasião
das abluções sagradas
e dos sacrifícios rituais.
A sombra insinuava-se-lhe
nos olhos negros,
quando ele estava
no mangueiral,
entretendo Sidarta
com jogos infantis,
ouvindo o canto da mãe,
presenciando os sacrifícios rituais,
escutando os ensinamentos
do pai,
o erudito,
ou assistindo
aos colóquios dos sábios.Havia muito que
Sidarta participava
dos colóquios dos sábios.
Junto com Govinda,
já realizava
torneios de eloqüência;
junto com Govinda,
já se exercitava
na arte de contemplar
e nos serviços
de meditação.Já sabia pronunciar
silenciosamente o “OM”,
a palavra das palavras;
sabia dizê-lo,
silenciosamente
de Sidarta para Sidarta,
ao aspirar o ar
e proferi-lo,
silenciosamente,
para fora,
ao expelir o ar,
com a alma concentrada
e a fronte aureolada
pelo esplendor
da inteligência lúcida.Já era capaz de perceber
no íntimo da sua natureza
a presença do “Átman”,
indestrutível,
uno com o Universo.”
