A poesia de Fabio Brazza

Brazza lançou álbum novo há alguns dias. Quando vi os anúncios me assustei, achei pouco tempo desde o último, Tupi or not Tupi, e temi que, por isso, talvez as letras não tivessem a profundidade que costumam ter. Mas me apressei e fui ouvir, e olha, preciso falar desse cara pra você.
Certamente (e ainda bem) meu temor estava enganado, a qualidade da produção foi não só mantida, como, arrisco dizer, melhorada. Algumas faixas saíram dali direto para a lista das minhas favoritas.
Primeiro que o nome: “É Ritmo, Mas Também É Poesia” já pode ser considerado uma definição para o próprio Fábio que, na maioria das vezes, consegue unir a letra detalhadamente trabalhada, como uma verdadeira obra literária, a um ritmo envolvente. Na medida certa. Ele consegue popularizar o rap sem deixar ele “pop” como o descrito em “O Rap Tá Pop”. E pôr a mente pra trabalhar, a mil, tensa, enquanto o corpo relaxa envolvido pelo flow.
Eu admiro a forma como ele trata suas letras, por poesia. Porque concordo com tal denominação. Fabio Brazza antes de ser rapper é poeta, toma as palavras como barro e esculpe suas letras com uma caneta. A musicalidade vem depois, é o toque final, o sopro que as faz tomar vida.
É justamente essa parte poética do rap que me fez começar a ouví-lo, e me mantém nesse meio. Vários nomes tornaram-se minha influência artística quando percebi todo o valor lírico, além de cultural, que possuem.
Por fim, quero destacar o compromisso de Brazza com nossas raízes, o respeito e a exaltação por elas que também já podem ser considerados característicos dele, como se vê na faixa Pindorama, do novo CD. A forma como ele se refere a nossa negritude, verossimilmente. Do ponto de vista de quem não tem ela estampada na própria pele, mas tem consciência que a carrega no sangue e na história. É algo que ultrapassa a raça ou classe social, e deveria estar presente e ser visto em todos nós, brasileiros.
