A (falta da) cultura do planejamento

É interessante observar as diferenças culturais entre países. São grandes as distinções no comportamento humano, culinária, música, artes, dentre outros. Cria-se um choque de realidade quando tomamos conhecimento de fatos que acontecem naturalmente em outras regiões, quando na nossa seriam vistos com muita surpresa.

Uma colega certa vez, hospedada numa casa de família na França, foi repreendida pela proprietária pois estava lavando a louça com a torneira aberta. Na Alemanha não há ralos nos banheiros, pois, visando economia de água e sustentabilidade ambiental, os alemães lavam sanitários e pisos com panos ou papéis umedecidos.

Citados alguns exemplos, é curioso como o brasileiro tem pouco hábito para se planejar, tanto sob o aspecto pessoal quanto profissional. É fácil perceber isso no alto nível de descontrole financeiro do brasileiro, que pouco planeja e controla seus rendimentos e despesas, resultando em contração de empréstimos, inadimplência e falta de opção para melhor aplicação de seus recursos — e falo com conhecimento de causa, pois não era exatamente um exemplo de pessoa organizada financeiramente.

Há pessoas que ao final do mês recebem um valor simbólico de seu salário diante de tantos descontos com pensões e empréstimos consignados, impactando diretamente em sua saúde emocional.

No ambiente profissional, não vemos nas empresas brasileiras atenção especial ao planejamento, mas é curioso como os órgãos públicos no Brasil, por força de lei, devem ter processos estruturados e maduros de planejamento de curto, médio e longo prazo, envolvendo previsão de programas públicos, orçamento, metas físicas, dentre outros.

Ainda assim, a lei, cheia de boa vontade, esbarra na resistência do brasileiro em destinar maior tempo, foco e concentração durante o período do planejamento. Há muita resistência em focar boa parte do tempo apenas nas atividades de execução, não raras vezes pouco monitorando o Planejado x Executado.

Ao se habituar a destinar mais tempo durante o processo de planejamento, naturalmente você verá os grandes benefícios e retornos com essa prática tão salutar em vários aspectos de nossas vidas.

Nas finanças pessoais, ao imputar numa planilha todos os seus rendimentos e gastos para os próximos 12 meses, você verá, por exemplo, que em determinados meses haverá mais gastos que ocorrem de forma anual, a exemplo de IPTU, IPVA, Seguros e Anuidade de Conselhos, permitindo que você se antecipe para que não seja surpreendido. Há também inúmeros aplicativos atualmente, portanto não há desculpas.

Se você tem uma pequena empresa, invista num sistema financeiro na web simples e barato para começar a controlar seu Contas a Pagar e Contas Receber. Há boas aplicações no mercado que certamente vão atender a sua necessidade. E faz muita diferença!

Vamos nos organizar e investir mais no planejamento.