Era uma vez um felino. E era uma vez um aracnídeo. O felino vivia a brincar com o aracnídeo. Sabe, pega-lo com as patas, e joga-lo para cima? Fazer com que seu estomago revirasse e que no percurso até perdesse uma perninha, ou machucasse alguma parte da estrutura. O aracnídeo preveniu-o de que não gostava de tal comportamento, pois os tamanhos de ambos eram muito diferentes um do outro, e nessa, o pobre aracnídeo sempre se machucava. Mas o felino não o respeitava, e continuava a machucá-lo.
Certa vez, o pequenino se cansou. Se cansou de tanto pedir, de tanto se explicar, de tanto pedir por respeito. Picou o felino e injetou veneno em seu corpo. Fora uma decisão difícil de se tomar, mas que escolha tinha ele? Depois de muito exigir respeito, sua voz jamais foi ouvida. Depois de muito exigir bom senso, suas explicações não passavam de palavras vazias. Agora, sob a sensação de turvação, o felino pedia desculpas, e clamava por um antídoto. O aracnídeo, que era um ser nobre, buscou por ajuda. Mesmo que ele estivesse apenas se defendendo, ainda sim, em seu íntimo, se sentia triste por ter tomado uma medida drástica como aquela.
Para tristeza do pequenino, não foi possível encontrar um antídoto. Ninguém poderia ajudar. Nada se poderia fazer. Agora só restava a ele conviver com o seu arrependimento e dor. Tamanha era a injustiça da metáfora, ele foi tentado a fazer algo, em defesa própria, e ainda teria de viver com a culpa. Era incompreensível para ele, a razão pela qual seres bons são tentados a cometer o mal, muitas vezes apenas para se defender do perigo, e ainda sim, saem do palco com a culpa pela tragédia.

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