As pessoas de boa energia.

Fico pensando principalmente se isso não é uma maneira espirituosa de manter o preconceito contra quem já se tinha preconceito. 
 As pessoas imitam seus manuais de horóscopos, segue intenções estéticas e é bem aí que as sua pretensões organizadas se manifestam. Quando andamos nas ruas e um sujeito negro está descalço enquanto anda ele é um perigo iminente para todos nós. Se ele tivesse um aspecto de classe média, quer dizer, se usasse uma roupa que defende uma classe estética e econômica, é muito provável que ele não fosse uma ameaça, um possível criminoso, alguém tão frágil que irá te assaltar. A boa energia é montada por arquétipos. É montada por imagens anteriores de um medo. Do terror que já existia, do terror que já havia posto em você, prontos para agir, para correr desesperados e acusadores. 
 Fala-se de ética? Não. “Argumenta-se” apenas de que não se gosta de alguém. De que “não sentiu”. Existem pessoas que não são associáveis. E é apenas porque ela não argumenta uma proximidade com outras grupos estéticos e econômicos. Na verdade até o econômico aí é uma imaginação daqueles que conseguem argumentar sua preferência por um grupo.