Certamente porque ela desabotoou minha camisa
 é que delirei sua vida naquilo que posteriormente
 eu trataria como poderia teatralizar num crime.
 era tudo num arranjo necessário.
 na verdade
 não me feriria se não houvesse desde o encontro 
 a acusação possível em defesa
 daquilo que chamariam em mim
 de covardia.
 a força dela me pôs em febre
 eu era um jovem dançando
 eu pisava forte contra o chão
 eu era um jovem drogado
 eu fiscalizava a felicidade das pessoas
 e quase não acreditava
 em mim.
 Percebi que no silêncio
 e é no meu silêncio
 quando já não encontro mais a quem comunicar
 a pronúncia de uma necessidade 
 tudo soaria vulgar ou ofensivo
 e também escandaloso. 
 E foi isso o que aconteceu. 
 Eu não sabia mais o que descrever
 porque as últimas ocorrências 
 nos sete meses anteriores foram solitárias. 
 Estava louco
 e não estava realmente
 não fosse a aparência que as palavras traziam sobre mim.
 E foi temendo isso
 com a experiência dos desafios anteriores que preferi por
 drogas e delírios nas horas passadas.
 E a amava
 eu desejava suas pernas.
 A salvei de palhaços maníacos num sonho
 E corri por um deserto
 com pequenas bacias de água sobre a terra
 pequenas lagoas 
 centenas delas
 com quinze ou vinte metros de diâmetro
 estávamos perdidos do mundo
 e ficaríamos escondidos até que nos achassem
 mas aconteceu o seguinte: foram embora sem que nos encontrassem.
 estes gestos me deixavam cansado
 e eu não podia usar as boas palavras.
 A minha febre surgia principalmente ao pensar que me ignoraria
 e mediria suas forças contra mim.