sapatilhas azuis
Os pés pequenos da agente de limpeza. Suas sandálias. Há um retorno, eu posso pensar que estou perdido e que vivo arquétipamente as gentilezas de um amor passado, o retorno está exatamente nos pés pequenos verificados pela possibilidade, clara possibilidade de serem circunvestidos pelas sapatilhas azuis dum passado quando, numa época sincera, lembro de uma face que ficou vermelha, não pelo sol e a luz quente, mas pela opressão que o amor, quando silencioso, fez, que é na verdade tornar com que alguma coisa dentro dos olhos retorne economicamente não pela competição de imagens, mas uma rápida dúvida talvez, algo que estava exatamente em sabermos quem éramos, não posso mais lembrar, imagino então que sinto uma carência que é de imagens e da liberdade, sua língua penso, seu pescoço, os conselhos e os gritos “alimente-se meu bem e volte, ande cuidadosamente, cautelosamente pelo mundo e encontre-me”, talvez mudemos de opinião, trata-se da busca pela presença. Podemos dizer que depois de alguns anos não houve interpretação para o silêncio porque a interpretação foi simplesmente levada por um medo e se desfez por um caminho mais fácil, diria, de falas mais curtas e objetivas. Eu a amava. Massageava seus pés e havia um prazer, claramente havia uma expressão em massageá-los. Eu procurava essa oportunidade e ela o sabia. Pés e tornozelos. A força da honestidade e a força de nossas intenções não vigorava sobre o peso dos encontros. Jogávamos sem muitas palavras um no calor do outro enquanto eu tentava encontrar pelo menos seus calcanhares.
