Qual é a real dimensão da corneta adversária?

Edilson comemorando a vitória em cima do seu grande rival. FOTO: Diogo Guichard

Desde o último Grenal, realizado no domingo (03), uma forte corrente está se criando nas redes sociais: o Edilson teria desrespeitado a instituição Internacional ao comemorar a vitória no clássico.

Vamos aos fatos. Neste ano fazem 15 anos da última taça de relevância do tricolor, a Copa do Brasil, conquistada em 2001 em cima do Corinthians. Tal data gerou por parte dos colorados uma série de brincadeiras e cornetas, como baile de debutantes e valsa dos 15 anos. A flauta atingiu um nível institucional. Eduardo Sasha, ao comemorar um gol na final do gauchão (titulo meramente ilustrativo) em cima do Juventude, dança uma valsa de 15 anos com a bandeirinha de escanteio. Uma clara alusão ao tempo sem títulos do maior rival.

Não bastasse isso, na semana que antecedeu o jogo, eis que vazou um áudio de WhatsApp do treinador colorado, Argel Fucks (Fucks com quem?) onde ele fala a um amigo que vai passar o trator na equipe gremista.

Ora, pra um bom clássico meia provocação já basta. Os colorados provocaram, iniciaram uma corneta, mas esperavam que não teria retorno nas mesmas proporções. Quanta inocência.

O clássico Grenal sempre foi marcado por provocações, por cornetas, de ambos os lados, na maioria das vezes feitas de maneira sadia. Isso alimenta esse que é considerado um dos 10 maiores clássicos do mundo. Reclamar disso é renegar a história linda e vitoriosa desses irmãos que vivem entre brigas e alfinetadas.

A comemoração do Sasha foi uma espécie de continuidade da alma corneteira do futebol. Feita de forma sadia, a ação remeteu à várias atitudes da mesma linha do D’Alessandro, pelo lado colorado, e do Danrlei, pelo lado tricolor. Na época da comemoração do Sasha, houve torcedores gremistas que reclamaram de falta de respeito por parte do jogador com a instituição Grêmio, que havia pisado em cima da história. Por óbvio os torcedores colorados amaram a comemoração.

Sasha dançando valsa em alusão aos 15 anos sem títulos do Grêmio. FOTO: Divulgação/SC Internacional.

Desta vez a comemoração polêmica veio de um gremista, mais precisamente do lateral direito Edilson. Não bastasse toda a motivação que um clássico Grenal dá ao jogador, tinha todos os outros componentes citados. Ao final do jogo, após o time ter tido uma boa atuação coroada pela vitória em plena casa do adversário. Edilson pegou a bandeirinha de escanteio, aquela mesma que havia servido de companhia pro Sasha dançar a valsa, e foi até a torcida gremista pular e comemorar.

Tão logo isso ocorreu, surgiu a mesma reação quando da dança do Sasha, só que invertido. Gremistas endeusando o lateral e os colorados se sentindo ofendidos pela comemoração, achando uma total falta de respeito.

Em ambas as situações eu mantenho a mesma ideia: os torcedores têm que parar de procurar chifre em cabeça de cavalo. Provocações de jogadores com o seu rival está longe de ser um problema. Eles têm compromisso com seus adoradores, deve alegrar e defender os mesmos. Se a torcida adversária ficar “de cara” com isso, é mais uma prova de que agiu corretamente. Se tiver uma qualidade técnica aliada à corneta, com consequentes taças no armário, é um grande passo para a elevação ao status de ídolo, vide Renato Portalupi e D’Alessandro.

Há também aqueles que desrespeitam de fato o rival, como foi o caso do volante Edinho, multicampeão pelo Inter e de passagem apagada pelo Grêmio. Quando da passagem pelo tricolor, fazia questão de menosprezar os títulos ganhos em outrora, deixava bem claro que subestimava o colorado. Com isso jogou fora todo o carinho e respeito que tinha no clube do povo, em troca ganhou uma saída ofuscada do Imortal tricolor.

Se o time está mal e não vence há 5 rodadas, ou se está um bom período sem ganhar grandes títulos, não culpe a comemoração adversária, não solte nota de repúdio, tampouco culpe setores da imprensa pelo decorrido. Os responsáveis pelo clubes são seus dirigentes e comissão técnica. Cobre deles as atitudes necessárias para a melhoria. São eles os responsáveis pelas contratações bisonhas e os “fatos novos”. A comemoração e a corneta dos adversários fazem parte do contexto da rivalidade.

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