Tudo é dinheiro

“Dinheiro não traz felicidade”. De uma forma ou de outra, na nossa sociedade, traz, sim. Traz mesmo.

A única inocência que temos em relação ao dinheiro é quando nascemos, tão subtraídos do mundo que não percebemos o que nos cerca.

A partir do momento que saímos da maternidade — se tivermos a sorte de nascer em uma — somos dominados pelo dinheiro.

O bebê então vai para casa de seus pais. Pode ser uma casa pobre, de classe média ou rica. O bebê não escolhe. Ele entra na residência e é envolvido pelo tipo de sociedade que o cerca. O dinheiro já está envolvido de maneira acachapante.

Se tiver a sorte de ingressar numa casa de classe média, desde cedo ele frequentará uma creche — uma creche muito boa, cheia de paparicos. Conhecerá outras crianças, de quem aprenderá a conviver pacificamente — às vezes, uma palavra feia aqui e ali. Os professores, treinados, farão de tudo para que aquele pequeno ser humano tenha uma boa educação e se encaixe no padrão desejado.

Sem falar que, em seu bairro, terá o melhor ambiente possível para crescer e sobreviver. Claro que, às vezes, haverá reclamações sobre a violência urbana. Normal.

Tudo isso porque o bebê nasceu com dinheiro. Quer dizer, dinheiro dos seus pais, mas, a partir de seu nascimento, passou a ser dele também. Enfim.

Em um lugar mais pobre, a casa seria outra, a creche seria outra, os pais seriam outros, o bebê seria outro. O mesmo vale para o lado mais rico.

Agora pulemos etapas. Quando se está na loucura de se prestar um vestibular, a primeira coisa que vem na mente das pessoas é dinheiro — muito disso porque é o que familiares e amigos gostam de dizer repetidamente. O curso dará dinheiro? Ah, não importa muito. Acho que sim. Se não der, eu farei mesmo assim!

É, mas infelizmente não é tão simples. Todo mundo quer ganhar dinheiro, e essa é a motivação principal de todo mundo — somos arrastados pela correnteza ao pensarmos assim. Eu tinha uma visão utópica. Mas, hoje, vejo que todos falam mais sobre dinheiro do que a própria profissão em si.

Tudo que tencionamos em trabalho é para ganhar dinheiro, todas as nossas relações sociais são movidas por fatores econômicos. Seus amigos seriam seus amigos se você estivesse noutra situação econômica? Você ao menos os teria conhecido? E se você ficasse sem nada agora?

Minha principal neura atualmente é em relação a um emprego estável. Bate um desespero. Porque posso ser pressionado por tudo e todos por causa disso.

No fim, a coisa toda envolve dinheiro. A tão sonhada independência? Dinheiro. Um carro? Dinheiro. A felicidade de se conseguir alguma coisa? Dinheiro.

Tudo é dinheiro, inclusive o conceito de felicidade, mesmo que indiretamente. O que nos resta?

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