Destruir

As duas juntas me destroem. Sinto que não vou conseguir viver mais um dia. A ansiedade e a depressão acabam comigo de maneiras inversas, o que é pior pois não sei qual lado acatar, nem quando acatá-lo. Uma me preocupando com meu futuro. A outra me lembrando do passado. Nenhuma das duas me ajuda, pois não sei o que será do meu futuro e não posso mudar o meu passado. Ah, se as duas pudessem se anular, seria tão mais fácil. Mas elas não se anulam, se somam e quando se somam se tornam mais fortes que nunca. Quando elas estão mais fortes, é um daqueles dias que não consigo sair da cama porque não consigo parar de chorar, secar as lágrimas e conviver com o mundo lá fora é impossível porque elas não param de cair. Até que cessam. Não por faltar de vontade, mas porque a fonte secou. O que não quer dizer que parei de sofrer, ao contrário, o sofrimento é tão grande que não cabe em um choro, não cabe em apenas lágrimas. Eu devo gritar. Mas tem pessoas em casa, o que vão pensar? Mas eu estou na rua, as pessoas vão achar que sou louca. Mas eu estou em sala de aula, não tem como gritar aqui. E eu não grito, nem choro, eu me guardo. A pior coisa que faço, é guardar, mas preciso, sinto que preciso. Aquilo fica guardado por meses, porque nunca tenho o momento/lugar certo de gritar. Queria estar longe e sozinha, num lugar aberto onde só os pássaros pudessem me ouvir berrar. Mas eu moro numa selva de pedra, onde não só os pássaros vivem. Isso me causa angústia extrema. E não, não é aquela angústia de quando alguém fala “nossa, tô angustiada com essa prova”. Não, ela é aquela angústia de verdade, aquela que aperta o peito, aquela que tu sente que está tão só que parece viver sozinha no universo. É dessa angústia que estou falando. Se você nunca sentiu espero que nunca sinta, não desejo a ninguém sentimento tão agonizante. A ansiedade e a depressão acabam comigo, de forma tão dolorida que muitas vezes não levanto da cama pra nada. É nessas vezes que sinto que não deveria existir, que estar viva é um incômodo, que se for pra sentir tal dor é melhor nem viver. Mas eu vivo. Porque continuo vivendo? Porque continuo lutando mesmo com todas as forças contra meu favor? Porque insisto em viver mais um dia? Eu não consigo responder essas perguntas, porque estou no modo automático, aquele modo que vivemos quando não sentimos mais nada, nem ao menos dor. O ser humano persiste em viver, porque estamos aqui pra isso, se fosse pra não viver, não teríamos nem nascido, e já que nascemos vamos fazer com que a famosa vida dure o tanto quanto precisamos pra buscar a felicidade. Talvez a esperança de que um dia, nem que seja por alguns segundos, eu saiba e sinta o que é ser feliz plenamente, seja o motivo que ainda me faz abrir os olhos todo dia de manhã.