Guerra invisível

Existe uma guerra invisível acontecendo, não só nas nossas cabeças, mas no mundo. Os lados já foram divididos e seus representantes já foram escolhido. Existem dois lados: o lado do bem e o lado do mau. Toda guerra é um clichê de forças operantes na nossa psique.

Os que estão do lado do mau atacam com ódio, com fanatismo, com fervor, com violência. São pessoas que estão perturbadas pelas forças odiosas que correm pelo mundo, principalmente agora, num momento de “rasgo” do véu. Coisas ruins saem por esse rasgo, mas coisas boas também.

Os que estão do lado do bem jamais devem atacar com as mesmas ferramentas dos que estão do outro lado. Não quero usar o termo “aliados” e “inimigos” aqui, pois não seria justo: as pessoas não sabem para qual lado estão lutando. Os maus estão enganados em suas ações, julgando fazerem a coisa certa em nome de um ideal. Os bons acabam sufocados pelo crescente ódio do outro lado. Se há, de fato, um inimigo a ser combatido, não são os homens e mulheres e crianças que atacam com ódio (digo crianças quando me refiro aos pequenos que são manipulados pelos adultos para reproduzirem suas crenças, pois crianças são seres mais iluminados do que nós, adultos, e puros em sua essência, mas sua ingenuidade os faz acreditar nos “mais velhos”, mas isso é assunto para outro texto).

Atacar os “maus” com suas próprias armas é entrar para o lado oposto. Ódio jamais deve ser a ferramenta dos bons, não importa o quanto tentador seja nutrir os pensamentos de vingança, sempre mascarados de uma vontade de “acerto de contas”. Não devemos sucumbir ao ódio, pois as forças negativas são misteriosas em suas manifestações, elas conseguem usar uma roupagem de justiça, e a justiça jamais deve ser guiada pelo ódio. Sendo cega, a justiça deve ser guiada por bons sentimentos: amor, perdão, responsabilidade, tolerância, paciência e sabedoria.

Temos que lutar por um mundo onde todos tenham a possibilidade de felicidade, inclusive aqueles que estão lutando por ideais tortos e nefastos. Lutar pela liberdade não significa que devemos restringir os que consideramos inimigos. Os homens que atacam com ódio, por mais revoltante que sejam suas ações, são apenas peões, até mesmo os mais poderosos. Há seres que “lucram” espiritualmente com essa manipulação das pessoas, e nós ainda não temos forças suficientes para atacá-los frente à frente, por isso, devemos enfraquecê-los de outro modo: sendo pilares de amor e luz num mundo de ódio e escuridão. Devemos ser, todos os dias, o copo que transborda de amor, pois só assim conseguiremos afogar o ódio.

Amar quem ataca com ódio é uma tarefa difícil, árdua, e sem dúvida estressante, mas não devemos jamais ceder nossa força de amor para dar lugar às nossas sombras mais escuras e não iluminadas. Toda história tem três lados: o nosso, o deles e o real. Os três são verdadeiros, mas os dois primeiros estão sempre sujeitos aos erros. Temos que ser o machado da justiça nessas horas: devemos cortas as meias-verdades e as certezas cegas dos dois lados, e encararmos o cabo do machado como verdade.

Não existem vencedores em uma guerra, e como diz a famosa frase: quando um não quer, dois não brigam.

Haverá momentos difíceis, de desestruturação tanto física quanto mental, mas se sucumbirmos, iremos para o outro lado da guerra, e nos perderemos, breve ou definitivamente, em nossos caminhos.

Devemos atacar, sim, mas com amor. Devemos usar a força do amor de Cristo e de todos os outros deuses e deusas sacrificiais e solares. Devemos usar a beleza dos sentimentos como arma. A geração do ódio pode ser cortada pela raiz, demorará, mas é possível.

“Orai e vigiai”. Nossos pensamentos podem nos trair, e é importante termos controle deles. Não devemos pensar ou desejar o mal, nem mesmo para os “demônios” que enganam os homens e mulheres em suas ideias. Devemos ser amor, se quisermos viver em um mundo de luz.