Protagonista
Ultimamente coisas estranhas tem acontecido na minha vida.
Sabe aquelas horas que você ouve uma história surpreendente de alguém que, por aparente sorte, recebeu algo bom e inesperado?
Ultimamente tem sido eu.
Seja da pedra bonita que caiu na minha mão, no pano de veludo alemão com brocado egípcio que pousou na minha cabeça e me cobriu numa noite de sono, a rolha que caiu no meu pé, recolher velas em uma bandeja ou passar alguém numa roda de fogo, nesses dias eu sinto que eu deixo, algumas vezes, de ser observante e me torno protagonista.
Eu posso escrever alguns parágrafos tentando descrever essa situação, nem todos vão fazer sentido:
1: Eu sinto como se não fossem apenas alguns olhos voltados para mim. São atenções, intenções. É um momento que se desprende do fluxo temporal comum: naquele momento só há eu, e eu mesmo, participando de algo como um criador ou co-criador. Visão em primeira pessoa: EU estou fazendo, ao invés de projetar meu desejo de fazer aquilo em um outro ser que protagoniza a ação. Naquele momento, Eu Sou, e Eu Sou o Eu Sou.
2: É como se eu fosse o personagem principal de uma história que voltou a ser reescrita depois de um tempo em que o escritor sofreu um bloqueio criativo. É um momento que, por mais que pareça durar eras, é fluído e rápido, é o presente onde não há tempo pra se perder no fantasma do passado e no assombro do futuro. Pá-pum. Numa hora você tá inerte, só seguindo o movimento dos outros, e aí do nada alguma coisa muda e você é o movimento.
3: Talvez a melhor descrição seja que ao realizar algo que não é apenas um breve desejo, mas sim uma vontade da alma, um desejo intrínseco, você provoca o despertar de uma força maior dentro de você. Chame de Deus, Inspiração, Espírito, Força divina, Energia, Surto ou o que quiser. Ou chame de Exu. Ao despertar essa força você entra em contato com o eu-superior, e toda a insegurança desaparece, porque você se sente no seu mais puro “eu”. Resumindo essa papagaiada toda, é quando as expressões “sou foda” e “nasci pra fazer isso” se juntam em harmonia.
Mas e se essa porra sobe a cabeça?
Aí fode. Porque você faz uma coisa chamada trocar as bolas, meter o pé pela mão (é isso?), essas coisas todas. Tem uma linha tênue entre “Sou uma ferramenta de Deus realizando essa ação” pra “Eu sou Deus e assim faço”. É aquela sábia expressão: “Melhor ser o Martelo de Deus do que o Prego do Diabo” que eu acabei de inventar (eu acho). A linha tênue é a porra da tábua.
Pra encerrar, essa baboseira toda era pra chegar no ponto de que é perfeitamente natural você aceitar e aplicar sua competência pessoal ou espiritual ou seja lá o que for. O que é importante ter em mente é
